
Política
Diretora da H.Stern diz que levava joias à casa de Cabral e recebia em cash
Nesta quarta-feira (23), a Polícia Federal (PF) divulgou o depoimento de Maria Luiza Trotta, diretora comercial da joalheria H.Stern. Na oitiva, ela afirmou que levava joias, anéis de brilhante e pedras preciosas à residência do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e o pagamento era sempre feito em dinheiro. [Leia mais...]

Foto: Arquivo EBC
Nesta quarta-feira (23), a Polícia Federal (PF) divulgou o depoimento de Maria Luiza Trotta, diretora comercial da joalheria H.Stern. Na oitiva, ela afirmou que levava joias, anéis de brilhante e pedras preciosas à residência do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e o pagamento era sempre feito em dinheiro. A diretora trabalha há 34 anos na joalheria.
De acordo com a diretora, o pagamento em dinheiro era levado à loja da H.Stern em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Quem fazia a entrega era Carlos Miranda, apontado pela Operação Calicute como o "homem da mala" de Cabral.
A testemunha revelou à PF que passou a atender "pessoalmente" o peemedebista quando ele ainda era governador do Rio de Janeiro, em 2013. Sérgio Cabral governou o estado por dois mandatos, entre 2007 e 2014.
“Os atendimentos da declarante a Sérgio Cabral sempre foram feitos no interior da residência dele e eram agendados por Carlos Miranda ou algum outro/a secretário/a do ex-governador. A declarante, nesses encontros, levava joias de amostragem, as quais eram selecionadas ou não pelo próprio Sérgio Cabral ou por sua esposa”, diz o depoimento da diretora.
Maria Luiza disse ainda que o ex-assessor de Cabral ou outros portadores não identificados do dinheiro eram dirigidos à tesouraria do estabelecimento comercial. A diretora não soube informar sobre a emissão de notas fiscais.
“Todas as joias tinham certificados que eram entregues a Sérgio Cabral e/ou esposa, sendo certo que a empresa não guarda cópia destes certificados por questão de confidencialidade”, declarou ela.
Depoimento
O depoimento de Maria Luiza foi prestado no último dia 17 de novembro, dia da deflagração da Operação Calicute, que prendeu Sérgio Cabral preventivamente. O ex-governador está em Bangu 8.
Neste dia, a PF deu um prazo de 24h para a diretora apresentar “todas as cópias de notas ficais de venda realizadas entre H. Stern e Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo”
A diretora informou ainda que Carlos Bezerra, a quem a PF atribui o papel de operador de propinas de Cabral, pode ter atuado “como portador de valores de pagamentos de joias compradas pelo ex-governador”.
No dia da prisão, Sérgio Cabral, em depoimento, declarou à PF que “não se recorda” das compras das joias. O peemedebista disse também estar "indignado" com as “mentiras” dos delatores que afirmaram ter pago propinas a ele e seus aliados referentes às grandes obras do governo do Rio.
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