
Política
Nilo tenta enrolar, mas gastos da Alba custeariam cidades inteiras da Bahia
R$ 541 milhões. O orçamento previsto para a Assembleia Legislativa da Bahia para o ano de 2017 é maior, simplesmente, do que o orçamento de cerca de 400 das 417 cidades do estado. Mas enquanto o governador Rui Costa (PT) decreta o contingenciamento de mais de R$ 1 bilhão no orçamento de 2016, o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PSL), conduz as coisas de forma bem diferente [Leia mais...]

Foto: Tácio Moreira/Metropress
R$ 541 milhões. O orçamento previsto para a Assembleia Legislativa da Bahia para o ano de 2017 é maior, simplesmente, do que o orçamento de cerca de 400 das 417 cidades do estado. Mas enquanto o governador Rui Costa (PT) decreta o contingenciamento de mais de R$ 1 bilhão no orçamento de 2016, o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PSL), conduz as coisas de forma bem diferente.
Na contramão da tentativa de garantir o equilíbrio fiscal do Estado, a Casa, presidida quase de forma vitalícia por Nilo, deve aprovar um aumento de R$ 51 milhões em relação a 2016, comprovando que de austera — palavra preferida do deputado — não tem nada. Mas se você se assustou com o valor, saiba que os nossos deputados não se abalam com o montante — que pagaria o salário mínimo de mais de 600 mil trabalhadores.
Gasto equivale ao orçamento das cidades mais populosas da Bahia
Apesar de serem de poderes diferentes, do ponto de vista do gasto, a Assembleia pode ser comparada com as maiores cidades da Bahia. O orçamento da Casa só é menor que os cinco principais municípios dos estado: Salvador, Feira de Santana, Camaçari, Vitória da Conquista e Lauro de Freitas.
O montante de R$ 541 milhões administrado por Nilo supera, de longe, o de grandes cidades baianas. O deputado argumenta que não é possível comparar “laranja com banana”, mas é impossível admitir que um prédio custe mais aos cofres públicos do que municípios tão importantes.

Mais cara, AL-MG cortou R$ 150 milhões. E a Bahia?
Mas para o presidente Marcelo Nilo, a AL-BA não gasta tanto assim. “Eu comparo com outras Assembleias. Minas, por exemplo, é quase R$ 1,4 bilhão”, argumentou o deputado. O problema é que a Assembleia escolhida como referência por Nilo é a mais cara do país. Em 2016, o orçamento da Casa mineira foi de R$ 1,267 bilhão.
Mas até mesmo no exemplo de Nilo a crise surtiu efeito. A Proposta de Lei Orçamentária Anual de Minas Gerais prevê um gasto 13% menor do que ano passado: R$ 1,1 bilhão, ainda incompreensível. Por que o deputado não aproveita e segue este exemplo?
Marcelo Nilo culpa os deputados...
Garantindo que já cortou “toda a gordura”, Nilo culpa os colegas quando questionado sobre o grande número de cargos comissionados – que representam grande parte das despesas. “O que tinha de cortar nós cortamos. Suspendemos publicidade, Assembleia Itinerante, não demos aumento aos servidores (...) 90% do gasto é em pessoal, e eu não posso reduzir salários. Tentei aprovar em plenário [a redução], mas os deputados não aceitam reduzir cargos de confiança. Tentei conversar e eles não aceitaram”, disse.
..Mas eles o desmentem
Mas o líder da oposição na Assembleia, Sandro Régis (DEM) não hesita em desmentir a tal tentativa de Nilo em reduzir os maiores gastos da Casa. “Desde quando eu sou deputado, isso nunca foi pra plenário. Primeiro que isso é coisa da Mesa, quem trata são os deputados da mesa diretora. Mas nunca foi feita nenhuma proposta para se reduzir cargos comissionados. Comigo isso nunca foi discutido”, explicou Régis.

Zé Neto: “Comigo também não teve essa conversa”
Se tem uma coisa que oposição e governo concordam é o desconhecimento sobre a suposta tentativa de Nilo de tentar reduzir os cargos de confiança na Assembleia. Zé Neto (PT), líder da base de Rui Costa na Casa, manteve o tom do deputado Sandro Régis (DEM). “Comigo não teve essa conversa também, não. Redução de cargos comissionados? Não me recordo dessa conversa”, disse.
Segundo Zé Neto, caso o debate seja levado às lideranças, a questão será analisada. “Vamos discutir. Nós temos feito esforços para resolver o que tiver ao nosso alcance”, afirmou o deputado.
Deputados não discutem gastos da Assembleia
Segundo Sandro Régis, não é só entre os eleitores que os gastos da Assembleia são um grande mistério. “O orçamento da Casa quem trata diretamente é o presidente. Deputado não tem acesso. Quem gerencia é o presidente. Nós não conhecemos como é gasto o dinheiro da Casa. Não se chama deputado para saber com o que está sendo gasto. Eu nunca fui participar de nenhuma reunião para saber se está sendo gasto com A, B ou C. Nem eu e nem grande parte dos deputados [sabemos]. Isso não é discutido”, afirmou ao Jornal da Metrópole.
“Não pode só um mandar”
Mas se depender do deputado estadual Luiz Augusto (PP), a hegemonia de Nilo à frente da presidência tem data para acabar. Candidato ao comando da Casa, o pepista diz representar os que pedem por mudança. “É preciso oxigenar, abrir mais a Assembleia. O orçamento, se você perguntar, ninguém sabe. É isso que a gente quer, mais transparência. Já entrei sabendo que a disputa é braba. Não é fácil. Vamos mudar a Assembleia”, disse à Metrópole.
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