Política

Odebrecht pagou US$ 3,39 bilhões em caixa 2 entre 2006 e 2014, diz delator

O ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas afirmou na última segunda-feira (6), em depoimento ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, que o Departamento de Obras Estruturadas da empreiteira, conhecido como "departamento da propina", pagou cerca de U$ 3,39 bilhões em caixa 2 entre 2006 e 2014. [Leia mais...]

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Foto : Divulgação

Por Matheus Simoni no dia 07 de Março de 2017 ⋅ 15:15

O ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas afirmou na última segunda-feira (6), em depoimento ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, que o Departamento de Obras Estruturadas da empreiteira, conhecido como "departamento da propina", pagou cerca de U$ 3,39 bilhões em caixa 2 entre 2006 e 2014. O depoimento na sede do TSE ocorreu no âmbito da ação que investiga abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014, podendo cassar a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

Mascarenhas chamou o departamento de "trepa moloque", uma referência ao fato de que, por ele, só passavam os recursos ilegais, era responsável não apenas por repasses de recursos ilícitos para campanhas eleitorais como pagamentos de resgates de funcionários da empreiteira sequestrados em países atingidos por conflitos armados ou grande violência urbana. 

O delator detalhou os repasses com recursos ilegais da empresa. Em uma planilha apresentada por ele, segundo informações do jornal Estado de S. Paulo, constavam as seguintes quantias: 

- Em 2006 - U$ 60 milhões; 
- Em 2007 – U$ 80 milhões; 
- Em 2008 – U$ 120 milhões;
- Em 2009 – U$ 260 milhões;
- Em 2010 – U$ 420 milhões; 
- Em 2011 – U$ 520 milhões;
- Em 2012 – U$ 730 milhões; 
- Em 2013 – U$ 750 milhões;
- Em 2014 – U$ 450 milhões.

Ainda de acordo com o delator, os pagamentos eram feitos em hotéis onde ficavam hospedados os intermediários. Mascarenhas afirmou que, com o avanço das investigações da Operação Lava Jato, o setor de propina teve que migrar para a República Dominicana. Com isso, a cota em que era armazenado os recursos ficaria fora do País e quando era necessário fazer algum pagamento, sempre era em espécie. Segundo ele, em razão de as regras serem mais rígidas nos Estados Unidos, as transações em solo norte-americano eram evitadas. 

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