Política

Eduardo Cunha classifica depoimento de Funaro como \"história da carochinha\"

Em interrogatório, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha negou nesta segunda-feira (6), que tem despesas como a compra de carros, pagas pelo seu ex-operador financeiro Lúcio Funaro, a quem chamou de “mentiroso”. [Leia mais...]

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Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Por Matheus Morais no dia 06 de Novembro de 2017 ⋅ 11:02

Em interrogatório, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha negou nesta segunda-feira (6), que tem despesas como a compra de carros, pagas pelo seu ex-operador financeiro Lúcio Funaro, a quem chamou de “mentiroso”. Na oportunidade, ele negou ainda que tenha recebido propina para suas campanhas políticas, segundo ele, por “não ser necessário”, já que as doações legais que obtinha eram “mais do que suficientes”.

“[Funaro] nunca me pagou um carro com dinheiro dele, isso é história da carochinha”, afirmou Cunha. \"A delação que ele faz agora está me transformando no Posto Ipiranga. Tudo é Eduardo Cunha.\", afirmou. Eduardo Cunha é interrogado nesta segunda-feira pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável pela Operação Sépsis, na qual são investigadas irregularidades na vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, ocupada por Moreira até 2011.

Eduardo Cunha foi acusado por Funaro de encabeçar um esquema de pagamento de propina envolvendo o Grupo Bertin, em troca da liberação de um aporte milionário do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), operado pela Caixa. O corretor de valores
disse ter participado de um almoço com Cunha e Natlino Bertin, controlador do grupo, em um hotel de Brasília. O ex-deputado Cândido Vaccarezza, então no PT, também teria participado. No encontro, foram combinados repasses ilegais ao PT e ao PMDB, segundo Funaro, que assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

Ainda nesta segunda, Cunha afirmou que “não duvida” do repasse de propina para campanhas do PMDB, que teria sido intermediado pelo ministro Moreira Franco, da Secretaria Especial da Presidência, quando ele ocupava uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal. O ex-deputado, entretanto, negou seu envolvimento no esquema.

“Se Moreira Franco recebeu [propina], e em se tratando de Moreira Franco até não duvido, mas não foi por minhas mãos”, afirmou Cunha, que admitiu ter marcado uma audiência, a pedido de Funaro, entre Natalino Bertin e Moreira Franco, mas negou ter participado de qualquer encontro ou ter ciência de qualquer acerto irregular.

O ex-presidente da Câmara desqualificou as afirmações de Lúcio Funaro de que Michel Temer teria recebido ao menos R$ 2 milhões em repasses ilegais do Grupo Bertin para a campanha presidencial de 2010, quando foi candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Para Cunha, ao citar Temer, o corretor de valores faz “uma tentativa de chamar atenção”.

O ex-deputado afirmou ter convicção de que, ao contrário do que Funaro relatou em sua delação premiada, o corretor de valores nunca sequer cumprimentou Temer. “Lúcio nunca chegou perto, tenho absoluta convicção disso”, afirmou Cunha. “Estou colocando isso apenas para demonstrar o histórico das mentiras. Na minha frente nunca cumprimentou o Michel Temer, nem um bom-dia”, repetiu o ex-deputado.

Outros três réus já foram ouvidos na semana passada - além de Funaro, Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, e Alexandre Magotto, ex-funcionário do corretor de valores. O ex-ministro Henrique Eduardo Alves, também réu, será o último a ser interrogado.

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