Política

‘Massas ressentidas e furiosas por serviços elegeram Bolsonaro’, diz professor 

Para Roberto Romano, há clara divisão no Brasil. “Não é figura de retórica. O eleito não teve aquela quantidade tremenda que apagaria qualquer possibilidade de oposição"

[‘Massas ressentidas e furiosas por serviços elegeram Bolsonaro’, diz professor ]
Foto : Divulgação

Por Alexandre Galvão no dia 29 de Outubro de 2018 ⋅ 09:06

Professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde lecionava Ética e Filosofia, Roberto Romano acredita que o anseio da população por serviços ajudou a eleger o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) presidente da República. 

“Enfrentamos uma urbanização planetária sem precedentes em toda história da humanidade. No século XX você tem milhões e milhões de pessoas indo para a cidade demandando serviço. E isso demanda recursos. Nenhum estado, inclusive os EUA, está gabaritado para garantir esse serviço, o que redunda em massas cada vez mais ressentidas, furiosas, pois não encontram guarita no mercado, que gera desemprego”, analisou, em entrevista a Mário Kertész, na Rádio Metrópole

Ainda de acordo com Romano, foi esse mesmo sentimento que deu poder a Donald Trump e agora confere poderes ao militar brasileiro. “Essas massas que elegeram Trump, aqui elegeram Bolsonaro. Essas massas não encontram voz para quem dê razão aos desejos de serviços básicos. Começou com ônibus e rapidamente se espalhou. Você tem nesses setores, desde os populares até classe média, que quer viver como as elites, mas não tem condições... Esse ressentimento transbordou e temos esse resultado”, apontou. 

O professor analisou ainda a campanha de Fernando Haddad (PT), que foi derrotado. Para ele, o próprio PT atrapalhou. “Essa campanha do Haddad foi meritório, mas enfrentou obstáculos por interesses da direção do partido. Colocaram acima do partido e da campanha os seus interesses de médio e longo prazo. E aí você não tem muita saída”, disse. 

Para ele, há clara divisão no Brasil. “Não é figura de retórica. O eleito não teve aquela quantidade tremenda que apagaria qualquer possibilidade de oposição. O que me preocupa muito é a falta de prudência na vida pública brasileira da qual temos como representante esse eleito. Se medidas absolutamente fora do padrão democrático forem assumidas, ou se na base de apoio existirem tentativas que vimos de intimidar, perseguir, evidente, caminhamos para uma crise geral de sociedade e Estado que no meu entender é inédita no Brasil”, sentenciou.  

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