Política

Citado em mensagens entre Moro e Dallagnol, ex-advogado da Odebrecht diz que pagou para não ser preso na Lava Jato

Suposta extorsão no valor de US$ 5 milhões teria ocorrido quando seu nome veio à tona na operação

[Citado em mensagens entre Moro e Dallagnol, ex-advogado da Odebrecht diz que pagou para não ser preso na Lava Jato]
Foto : Reprodução

Por Juliana Almirante no dia 18 de Junho de 2019 ⋅ 10:20

O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran relatou, em entrevista ao UOL, uma suposta extorsão no valor de US$ 5 milhões, que teria ocorrido quando seu nome veio à tona na Operação Lava Jato. 

"Paguei para não ser preso", disse ele à reportagem. Considerado foragido no Brasil, hoje ele vive em Madri, após ter deixado o Brasil em decorrência da operação. Nesta semana, o nome dele voltou à tona em mensagens divulgadas pelo portal "The Intercept Brasil", que revelou trocas de informações entre o então juiz Sergio Moro ao procurador Deltan Dallagnol. 

  "'Não é muito tempo sem operação?', questionou Moro a Dallagnol em 31 de agosto de 2016, segundo o The Intercept. "É sim. O problema é que as operações estão com as mesmas pessoas que estão com a denúncia do Lula. Decidimos postergar tudo até sair essa denúncia, menos a 'op do taccla '[Tacla Durán] pelo risco de evasão, mas ela depende de articulação com os americanos (Que está sendo feita)", responde o procurador.

Investigado pela Lava Jato, Duran declarou ter pago uma primeira parcela de US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, no entanto, afirma que se recusou a pagar o restante. Arns passou a ser conhecido por costurar acordos de delação de empreiteiros e outros investigados da Lava Jato. Consultado pela reportagem, ele não comentou as acusações. 

A força-tarefa da Lava Jato insiste em dizer que o ex-advogado da Odebrecht é um "fugitivo", porém a Interpol retirou qualquer alerta contra Duran. Na Espanha, ele vive em liberdade. 

As declarações dadas por Duran ao UOL já constam em documento enviado ao Ministério Público da Suíça pelos advogados de Duran. Na carta, a defesa sustenta que o ex-defensor da Odebrecht foi vítima de extorsão para não que não fosse detido ou envolvido em delações premiadas de outros suspeitos da Lava Jato. 

Os procuradores da força tarefa rejeitam a versão e apontam que Tacla é acusado de mais de cem delitos. Datado de 28 de janeiro deste ano, o documento, obtido pelo UOL, foi uma resposta a questionamentos feitos pela Suíça ao brasileiro, com base em transferências que ele realizou a partir de uma conta no país europeu para o Brasil. 

Duran atuou como advogado da Odebrecht entre 2011 e 2016. A Lava Jato o acusa de movimentar mais de R$ 95 milhões para a construtora e outras empresas em vários países do mundo, além de lavagem de cerca de R$ 50 milhões. 

A 13ª Vara de Curitiba pediu a extradição de Duran para o Brasil, mas a soliticação foi negada pela Espanha em julho de 2017.

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