Política

Lídice diz que desconfiava da imparcialidade de Moro: 'A conversa é muito grave'

Em entrevista à Rádio Metrópole, deputada também falou sobre reforma da Previdência, decreto de armas e eleições municipais

[Lídice diz que desconfiava da imparcialidade de Moro: 'A conversa é muito grave']
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Adelia Felix no dia 19 de Junho de 2019 ⋅ 17:54

A deputada federal Lídice da Mata (PSB) afirmou, durante entrevista ao programa Jornal da Cidade, na Rádio Metrópole, que achou precipitada a ida do ministro da Segurança Sérgio Moro ao Senado, nesta quarta-feira (19). Na oportunidade, o ministro do governo Bolsonaro respondeu a indagações sobre as reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil, que mostravam mensagens trocadas entre o ex-juiz e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.

“Eu acho que o Senado deveria ter jogado para depois do São João. Para ganhar tempo para analisar. Mas só a presença do ministro no Senado para dar satisfação já é um reflexo das denúncias. Não há quem acredite que essas mensagens não sejam verdadeiras. O ministro está insistindo nesse roteiro. […] Não é verdade que tudo isso é para acabar com a Lava Jato”, disse a parlamentar.

E, continua: “Até desconfiava que ele [Sergio Moro] fosse imparcial, mas não tinha ideia que esse tipo de conversa tão detalhada pudesse acontecer. Essa segunda conversa divulgada é muito grave. É estarrecedor”.

Reforma da Previdência
Questionada se a repercussão do chat poderia impactar na aprovação da reforma da Previdência, inicialmente, Lídice negou. “Eu não creio. A reforma da Previdência tem seu rito próprio. Até porque vamos ter uma votação agora. É claro que estou falando nas condições de hoje. As mensagens são gravíssimas”, ponderou e ressaltou que caso surjam novas denúncias contra o ministro é possível que cause um “impacto na reforma da Previdência”.

Decreto de amas
A deputada baiana também falou sobre a aprovação do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado que pediu a suspensão dos decretos do presidente Jair Bolsonaro que facilitaram o porte de arma. 

O plenário aprovou nesta terça-feira (18), por 47 votos a 28. Com a decisão, o texto seguirá para análise da Câmara dos Deputados. As regras previstas nos decretos continuarão valendo até que a Câmara vote o tema e, eventualmente, aprove a suspensão dos decretos.

Para Lídice, a Câmara terá a mesma posição que o Senado. “Eles tradicionalmente têm presença maior. Essa chamada bancada da bala. Um número maior de deputados que advogam por essa ideia, essa proposta. Agora, ainda assim eu estou confiante de que a razão consiga vencer”, acredita.

Eleições municipais
As próximas eleições municipais também fizeram parte da conversa. Indagada se poderia disputar a corrida pela prefeitura de Salvador, Lídice não recuou. “Disposição eu tenho toda. O PSB, há alguns anos, tem desenvolvido oposição ao governo municipal. […] Claro que Rui está muito forte, mas é preciso ver o projeto político de cada partido”, analisa.
 

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