Sábado, 27 de novembro de 2021

Política

Fernando Barros analisa estratégia de Bolsonaro: ‘Persegue a polarização’

Publicitário também avalia que "bater na Globo" faz parte da estratégia do presidente para manter apoiadores

 Fernando Barros analisa estratégia de Bolsonaro: ‘Persegue a polarização’

Foto: Matheus Simoni/ Metropress

Por: Juliana Almirante no dia 25 de novembro de 2019 às 12:53

Responsável por 34 campanhas políticas, o publicitário e presidente do Conselho de Administração da Propeg Fernando Barros analisou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (25), a tática do presidente Jair Bolsonaro de ser combativo à mídia e também usar a exposição midiática durante o mandato.

“Ele tem estratégia. Ele só tem essa estratégia, que deu vitória a ele. Bater na Globo faz parte dessa estratégia. Mesmo que ele fique de 'boaça' com a Globo . Porque a Globo não é todo dia que bate, elogia também, mas ele não perdoa”, afirma.

Com isso, o mandatário alimentaria a polarização e manteria apoiadores.

“Penso que o raciocínio dele (Bolsonaro) é esse. 'Seguro meus convertidos e me garanto no mínimo no primeiro turno. E o centro vem de graça para mim. Eles vão para Lula? Vão para mim'. Ele persegue a polarização e isso é inteligente. Isso é estratégico. A forma de fazer isso é a dele”, afirma.

Na eleição do ano passado, o publicitário e não acredita que houve, necessariamente, uma mudança em relação a outros pleitos, já que o então candidato do PSL não tinha muito tempo de TV.  

“Não. Porque ali era momento que Brasil estacionou numa quadra muito clara. Tem um livro, aliás, de um professor da universidade de Washington e o livro faz a 'anamnese'. Nesse livro, ele reduz, com inteligência, o que se passou na época. Eu achei que ele (Bolsonaro ) não ia ganhar. Depois me rendi às evidências. Ali a polarização ficou entre os que não queriam PT pela corrupção. Bolsonaro ficou dono da ‘franquia’ Lava Jato. Por outro lado, Alckmin errou na estratégia e quando desconsiderou o vasto eleitorado de Salvador para cima. Ele não teve customização para lidar com o Nordeste”, analisou. 

Fernando também lembra que o presidente acabou beneficiado com o aumento da exposição do nome dele na mídia aberta, após o ataque com faca que o levou à internação. 

“Então não é dizer que a eleição dele foi diferente, ele usou muita mídia social. Depois foi para valer na mídia aberta, inclusive quando levou a facadinha. Há quem conte que teve mais de 82 horas de noticiário, só se falava da facada dele. 'Morre, não morre'. E ele quietinho dizendo que não poderia ir a debate, porque o médico não deixa’, avaliou.

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