Política

Canais no YouTube que atacam STF e pedem intervenção militar receberam verbas estatais

Alvos do inquérito das fake news, como Allan dos Santos (foto), estão entre os blogueiros que receberam recursos, segundo o jornal O Globo

[Canais no YouTube que atacam STF e pedem intervenção militar receberam verbas estatais]
Foto : Reprodução

Por Metro1 no dia 31 de Maio de 2020 ⋅ 09:27

Um levantamento do jornal O Globo com base em dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação aponta que verbas publicitárias de estatais abastecem canais do YouTube que veiculam notícias falsas, defendem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) e pedem uma intervenção militar no Brasil. Alguns dos donos dos canais e sites são alvo do inquérito do STF que apura a existência de uma rede de divulgação de fake news e ataques aos ministros da Corte.

Entre janeiro de 2017 e julho de 2019, antes e durante o governo Bolsonaro, 28.845 anúncios da Petrobras e da Eletrobras foram veiculados nestes canais. Uma outra base de dados, da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, aponta que 390.714 anúncios do governo federal foram destinados a 11 sites e canais com o mesmo perfil entre junho e agosto do ano passado. A verba foi voltada para a campanha sobre a Reforma da Previdência.

As estatais e a Secom alegam que as verbas não foram direcionadas para os veículos, embora seja possível impedir que um determinado canal receba publicidade.

Entre os blogueiros que receberam as verbas das estatais e que são investigados pelo STF, estão Allan dos Santos, do canal “Terça Livre”, Enzo Leonardo Suzi Momenti, do canal “Enzuh”, e Bernardo Pires Kuster. Os três foram alvos de mandados de busca e apreensão na última quarta-feira.

Já o canal que mais veiculou anúncios da Petrobras, com 10.027, foi "O Giro de Notícias", ancorado pelo youtuber Alberto Silva. Com 1,15 milhão de inscritos, o canal é conhecido por criticar o STF e defender a intervenção militar. Em sua descrição, o veículo afirma que é “independente” e que “não recebe dinheiro de empresas públicas”.

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