Política

Bolsonaro 'não disfarça mais de ninguém sua escalada golpista', diz Ciro Gomes

Em entrevista à Rádio Metrópole, ele ainda criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes: "Não conhece o Brasil, nunca viu uma roça e não sabe o que é um parafuso industrial"

[Bolsonaro 'não disfarça mais de ninguém sua escalada golpista', diz Ciro Gomes]
Foto : Reprodução

Por Matheus Simoni no dia 04 de Junho de 2020 ⋅ 08:23

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) comentou os recentes posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em meio à pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (4), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele afirmou que o chefe do Executivo já não esconde mais posições autoritárias mesmo com a crise do país. "Achando pouco, o presidente da República, na direção irresponsável que impõe sua agenda de ódio, introduz uma crise política de grande calor com potenciais de disruptura institucional. Ele não disfarça mais de ninguém sua escalada golpista. Constrangendo e regulando o funcionamento de instituições da República. Isso tudo recomenda que ninguém possa se omitir. Estou trancado em casa em função da quarentena, tenho que dar exemplo, mas a gente usa as ferramentas para lutar", afirmou Ciro.

Em crítica ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Ciro Gomes afirmou que ele não compreende a real situação do país porque não tem vivência com o povo. "Basicamente, o Paulo Guedes não conhece o Brasil e nunca conheceu. Ele saiu da universidade mais conservadora dos EUA, que é Chicago, veio para o Brasil ganhar dinheiro. Na beirinha da lei, fazendo coisas que no mundo civilizado são criminosas, como especulação, aposta em derivativas com dinheiro público do fundo de pensão e etc. Não conhece o Brasil, não sabe nada da economia real, nunca viu uma roça e não sabe o que é um parafuso industrial", acrescentou o ex-ministro. "O Brasil está, nesse momento se a gente tomar o jargão conservador, eu estou projetando déficit público esse ano, para R$ 670 bilhões. O maior da história foi R$ 130 bilhões. Isso quer dizer que a dívida pública brasileira vai explodir para 100% do PIB. Quando a dívida pública galopa nessa velocidade, encurta o prazo. Ninguém precisa ser economista para entender. Se você está quebrado, o agiota que lhe empresta dinheiro só lhe empresta por prazo muito curto e juros muito alto para não queimar a mão. O mercado inteiro vê isso", criticou.

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