Política

Moro diz que 'teorias da conspiração' o afastaram de Bolsonaro

Segundo ex-ministro da Justiça, presidente deu atenção a muitas 'intrigas e conspirações' de aliados sobre ele ser candidato em 2022

[Moro diz que 'teorias da conspiração' o afastaram de Bolsonaro]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 13 de Julho de 2020 ⋅ 10:50

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro comentou seu afastamento e, consequentemente, sua saída do governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) em entrevista a Mário Kertész hoje (13), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole. Segundo o jurista, o chefe do Poder Executivo deu muita intenção a "teorias da conspiração" sobre ele ser candidato à presidência da República em 2022. Além disso, Bolsonaro teria sido manipulado a acreditar que Moro poderia traí-lo.

"O presidente é muito ligado a essas teorias da conspiração. Ele dá ouvidos a pessoas que fazem intrigas e conspirações. Talvez ele tivesse na cabeça isso, que eu seria um concorrente dele em 2022. O que eu sempre falava dentro do governo era de que eu estava fazendo o meu trabalho. Eu não tenho uma lealdade pessoal ao presidente, tenho lealdade ao país e aos compromissos que assumi quando aceitei o cargo. Mas como, estando dentro do governo, claro que em 2022 eu iria apoiar o presidente", disse Moro. "Não tinha essa alternativa de sair como candidato. Nunca foi muito meu perfil essa parte política. Talvez ele tenha colocado isso na cabeça e tenha sido uma das razões", acrescentou.

De acordo com o ex-ministro, a possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública "Foi uma coisa feita pelas costas e colocada publicamente e gratuitamente, não fui nem consultado. Minha percepção é de que o presidente, há tempos, queria que eu saísse do governo. Ele utilizou esses subterfúgios para me tirar do governo. Não sei porque ele pensava isso, é lamentável", afirmou Moro.

Sérgio Moro relatou as tratativas para assumir a pasta no governo e afirmou que Bolsonaro havia lhe prometido todas as condições para combater a corrupção. No entanto, não houve convite para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). "O compromisso foi combate à corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. O Ministério da Justiça tem outras atribuições, mas essas foram definidas como prioridades e faladas expressamente ao presidente. 'Presidente, se acontecer durante o governo de surgir um caso de corrupção de um ministro ou uma pessoa eventualmente ligada ao senhor, como vai fazer?'. 'Não vamos poupar ninguém'. Foi o que ele me falou. Então, foi esse o compromisso", disse o ex-ministro, que acrescentou. 

"Eu nunca cheguei para ele que assumiria se ele me nomeasse ministro do Supremo porque eu sabia que isso não seria muito apropriado, mas que sabia que surgiriam daqui a dois anos. Depende muito de circunstâncias do momento. Adianta assumir um compromisso e hoje estou fora do governo.  De que adianta se tivesse esse compromisso? Nunca teve isso. Espero que ele cumpra a campanha eleitoral e nomeie para as vargas que surgirem, juízes ou juristas que tenham histórico nessa luta anticorrupção. Juízes íntegros, duros, firmes e independentes. Eu sei que eu estou fora. Mas, enfim, ele tem oportunidade de cumprir algo da campanha eleitoral", afirmou. 

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