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Mandetta ironiza sentimento de Bolsonaro contra ele: 'Ciúme de homem é duro'

Política

Mandetta ironiza sentimento de Bolsonaro contra ele: 'Ciúme de homem é duro'

Ex-ministro diz que presidente não suportou entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo

Mandetta ironiza sentimento de Bolsonaro contra ele: 'Ciúme de homem é duro'

Foto: Carolina Antunes/PR

Por: Matheus Simoni no dia 07 de outubro de 2020 às 13:09

Ex-ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta ironizou um possível ciúme por parte do presidente na época em que ele ocupava a pasta. Alvo de entrevistas e de grande cobertura da imprensa, o chefe da pasta aparecia com frequência nos noticiários por conta do enfrentamento da pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (7), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele afirmou que tentava articular um tom único do governo contra a pandemia.

"A gente combinava com o presidente e ele fazia um pronunciamento de que era uma gripezinha. Todo mundo ficava chocado. Passava um ou dois dias, depois de falar, vamos num caminho. Mas ele desfazia e ia para um supermercado, rua ou porta do Alvorada. Não usava máscara e fazia as coisas. Mas quando a gente ia lá, ele dizia para trabalhar num caminho", disse o ex-ministro. 

Segundo Mandetta, o "ponto chave" da demissão ocorreu durante período da páscoa. Ao inaugurar um hospital de campanha da União na região entre Brasília e Goiás, Bolsonaro provocou uma aglomeração junto à população, o que causou descontentamento na equipe da Saúde. 

"Ficou uma situação muito difícil. Era o sábado de aleluia isso. Eu já havia avisado a eles que iria passar o sábado de aleluia com o governador Caiado. Minha mulher é amiga da esposa dele. Não iria em casa e fui para Goiânia. Veio o pedido para fazer uma entrevista para o Fantástico. Eu falei que iria dar, comuniquei à Casa Civil. Acho que, na segunda-feira, pelo fato de ser a Globo e ter essa inimizade, embora eu tenha medido muito as palavras, se tivesse que falar qual foi o ponto, naquela semana eles passaram a procurar outro nome", afirmou Mandetta.

"Essa coisa dúbia de duas informações precisava ser pacificada. Já não era mais uma questão de eu sair ou não, mas de quando. Se iriam esperar o final da pandemia ou esperar. Quando o indivíduo nega a notícia, você vai no médico e ele diz que você tem uma leucemia, a primeira reação é negar. É da natureza humana. A segunda reação é raiva, raiva de Deus, raiva do tratamento, raiva do médico. Ele negou a doença, o passo seguinte foi ter raiva do porta-voz", acrescentou. 

Mandetta ainda comentou as distintas fases do presidente. "Acho que é uma reação psicológica. Depois passou a esperar o milagre. Ele colocou a cloroquina como a milagrosa. Depois veio a reflexão e só depois veio a fase de colaboração", comentou. "Ciúme de mulher dá para administrar, mas ciúme de homem é duro", ironizou o ex-ministro.