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Marco Antônio Villa avalia 'derrota' de Bolsonaro nas eleições e diz que Brasil está isolado

Política

Marco Antônio Villa avalia 'derrota' de Bolsonaro nas eleições e diz que Brasil está isolado

Historiador avalia que país se assemelha à 'África do Sul na época do Apartheid'

Marco Antônio Villa avalia 'derrota' de Bolsonaro nas eleições e diz que Brasil está isolado

Foto: Metropress

Por: Matheus Simoni no dia 17 de novembro de 2020 às 12:44

O historiador, escritor e comentarista político Marco Antonio Villa comentou o resultado do primeiro turno das eleições municipais no país e avaliou que houve uma "derrota eleitoral" do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista a Mário Kértész e Malu Fontes hoje (17), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele comentou que a popularidade do presidente era fictícia.

"Foi uma derrota acachapante. Algo em torno de 5 a 0, quase um 7 a 1. Foi um desastre, mas algo já esperado. Não é nenhuma surpresa, ao longo de meses, e vinham insistindo que é uma ficção imaginar que Bolsonaro era popular nas pesquisas, que estava absolutamente errada aquela análise de profundidade de um pires", ironizou o comentarista. Ainda segundo Villa, Bolsonaro foi bem avaliado apenas momentaneamente por conta do auxílio emergencial durante a pandemia. A confirmação da fraca avaliação dele foi confirmada, de acordo com ele, com o resultado das urnas.

"Aquilo era questão de momento, não era uma tendência. Mas os analistas são tão medíocres, com o perdão da expressão, no Brasil que eles acham que o momento é tendência. Eles não conseguem entender o momento e o movimento. É uma coisa básica que um pouquinho de estudo levaria a esse conhecimento. Em São Paulo, Ruim/Péssimo é 52%. Em Salvador, é quase 2/3. Alguém dizia que eram meras pesquisas e pedia para ver as urnas. Bom, as urnas falaram. Aqui em São Paulo, o candidato dele, conhecido como cavalo paraguaio, quando falou que era candidato dele, foi caindo e empatou com Mamãe Falei, um livre atirador na campanha. Foi um desastre o Celso Russomano", disse o comunicador. 

"Eu sempre dizia e agora todo mundo repete. Bolsonaro é um Rei Midas às avessas. Aonde ele toca é destruição eleitoral. Em Fortaleza, o Capitão Wagner, que tem vida própria e não necessariamente está vinculado ao Bolsonaro e tem uma história política no Ceará, já está dizendo que é uma eleição de Fortaleza, sem questão nacional", acrescentou.

Marco Antonio Villa também classificou o que chamou de "isolamento" do governo brasileiro diante das outras nações. "Não tem popularidade, é uma derrota eleitoral. A derrota do Trump o isolou. Hoje o Brasil é uma África do Sul na época do Apartheid, internacionalmente. Hoje a fala dele na reunião dos Brics foi criminosa contra os interesses nacionais. É o presidente que mais cometeu crimes de responsabilidade ao longo da história republicana. Não há um presidente que tenha cometido tantos crimes como ele", pontuou.

Citando a pandemia, Villa culpou Bolsonaro pelas crescentes mortes por coronavírus no país. Na avaliação do historiador, o presidente merece ser julgado por um tribunal de Nuremberg, como aconteceu após a Segunda Guerra Mundial.

"Precisamos de um tribunal de Nuremberg no Brasil para julgar muita gente, a começar por Jair Bolsonaro. Poderíamos ter 'economizado' 150 mil vidas se tivesse sido feito o óbito. No livro do Dr. Mandetta, ele descreve tudo o que estava acontecendo. Ele [Bolsonaro], propositalmente, criminosamente, matou 150 mil brasileiros pela sua omissão administrativa. O que ele fez com o Ministério da Saúde e o que está fazendo agora com a Anvisa em relação às vacinas", disse.

"O Brasil vai assistir passivamente a segunda onda, o negacionismo, a crise econômica e vai deixar, eu nem chamo de Nero. Ele não é o Nero, que ainda tinha uma boa formação. Ele é o Incitatus, o cavalo que foi nomeado senador por Calígula. Nero era doido, mas tinha boa formação. O Brasil precisa de uma explosão no sentido democrático, como fez em 1992, 2015 e 2016, em diferentes momentos de nossa história", declarou o comentarista político.