Rádio Metropole
Atriz Carol Mota defende formação acadêmica na carreira teatral: "Atuar vai além de só decorar texto"

Home
/
Notícias
/
Rádio Metropole
/
Geógrafo diz que racismo não acabará apenas com decreto ou cargo em ministério: "A nação não pode mais errar"
O geógrafo criticou ainda as discussões sobre o uso de conceitos para falar sobre as instâncias e impactos do racismo na sociedade brasileira

Foto: Metropress/Fernanda Vilas Boas
Autor de obras sobre a geografia afrobrasileira e professor da Universidade de Brasília (UnB), o geógrafo Rafael Sanzio cobrou que o Brasil peça perdão pelo que ele chamou de “escravismo industrial” no período colonial. Em entrevista à Rádio Metropole, o geógrafo afirmou que um decreto ou cargo criado não é suficiente para mudar o rumo do país nas discussões sobre a invisibilização da população negra.
“Não é só um decreto, um cargo, hierarquia numa estrutura de ministério, é mais. E aí nesse sentido, a nação não pode mais errar. Estamos quase na primeira metade do século 21, já era para ter dado o que queremos para o Brasil. Até 2050, qual é o desenho para a questão do gênero? Para questão étnico racial, de uma educação mais consequente, da inserção das invisibilidades com mais luz, aí a questão dos terreiros, dos quilombolas”, pontuou o geógrafo.
Sanzio citou como exemplo o 20 de Novembro, data que comemora o Dia Nacional da Consciência Negra e que, apesar de ser insituída por lei, é comemorada em alguns estados brasileiros e em outros não. Na Bahia, por exemplo, Alagoinhas, Camaçari e Serrinha têm a data no calendário oficial da cidade. Para o geógrafo, essa diferença é uma prática real e clara de racismo institucional.
O professor defendeu que deve ser analisado como o racismo atua na estrutura da sociedade, no território, no aparato institucional, mas criticou ainda as discussões sobre o uso de conceitos para falar sobre o assunto. Para ele, conceitos como racismo estrutural são como moda e acabam tirando o foco do que realmente importa.
“Não estamos com tempo de ficar discutindo se estrutural cabe ou não. A nação brasileira convive um processo de exclusão. E aí, eu vou dar um nome a toponímia que for condizente, pertinente, mas eu tenho que reconhecer um fato. Esse fato academicamente ou em outras instâncias pode variar a forma como vamos nos referir, mas não podemos perder nesses detalhes o foco. Qual o foco? Ver o processo de exclusão real na estrutura da sociedade, no território, no aparato institucional”, afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.