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Secretário revela que, após morte de indígena no sul da Bahia, formação de milícia privada na região é investigada

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Secretário revela que, após morte de indígena no sul da Bahia, formação de milícia privada na região é investigada

Em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (2), o secretário defendeu que a solução para esses conflitos é a demarcação das terras indígenas

Secretário revela que, após morte de indígena no sul da Bahia, formação de milícia privada na região é investigada

Foto: Metropress/Fernanda Vilas Boas

Por: Metro1 no dia 02 de fevereiro de 2024 às 09:38

Depois do conflito entre fazendeiros e indígenas na cidade de Potiraguá, no sul da Bahia, a possibilita de existência de uma milícia privada na região passou a ser investigada. Segundo o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, a Polícia Civil chegou a abrir dois inquéritos: um sobre o conflito que resultou na morte da indígena Nega Pataxó e outro sobre a eventual formação de uma milícia no local. Em entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (2), o secretário pontuou, no entanto, que a investigação passou para a Polícia Federal.

“A Polícia Civil abriu o inquérito, mas o juiz estadual entendeu que a competência é da Justiça Federal, por se tratar de questão indígena. Então hoje é a Polícia Federal que está investigando. [...] com a decisão do juiz, o inquérito da Polícia Civil [sobre milícia] perde força. Agora quem tem que fazer essa investigação é a PF. Espero que a PF faça, falei isso com o superintendente [Flávio] Albergaria e ele se comprometeu de estabelecer essas duas frentes: sobre o caso e o contexto daquele grupo armado”, revelou o secretário.

Freitas cobrou ainda celebridades nas investigações deste episódio que deixou seis indígenas feridos e uma morta. De acordo com ele, as duas pessoas presas no dia do conflito, permanecem detidas. Uma delas foi presa por porte ilegal de arma e a outra foi apontada como autora do disparo que matou Nega Pataxó. A perícia apontou que veio da arma que estava com ele o tiro que vitimou a indígena.

“Não é admissível que nenhuma pessoa morra de forma violenta e os responsáveis não sejam encontrados. Se isso acontece no contexto de articulação de um grupo armado para atacar uma comunidade, isso se torna ainda mais grave, porque além de ser um crime, passa a ser uma espécie de confrontação da ordem, que não pode ser admitida. As consequências disso a gente lamentavelmente viu no 8 de Janeiro”, disse.

Para o secretário, a solução para esses conflitos é a demarcação das terras indígenas. Freitas, no entanto, compreende que este não é um processo simples, principalmente porque parte significativa desses processos acaba sendo judicializada. “O Estado Brasileiro tem com os povos indígenas uma dívida impagável do que foi feito historicamente com eles. E isso se renova quando a gente demora em demarcar as terras indígenas [...] parte são as demoras no processo do Executivo, mas parte fica também nas ações judiciais e isso vai aquecendo infelizmente a temperatura e se somando a práticas absolutamente criminosas e inadmissíveis de pessoas que acham que podem fazer justiça com as próprias mãos”, afirmou.

Confira entrevista na íntegra: