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“Sem africanidade, a Lavagem do Bonfim não teria a força que tem hoje”, diz historiador Marlon Marcos
Professor e historiador explica como tradições africanas moldaram a Lavagem do Bonfim

Foto: Metropress/Fernanda Vilas
O professor, historiador e jornalista Marlon Marcos destacou que a Lavagem do Bonfim só alcançou a dimensão que tem hoje por conta da presença das tradições africanas em Salvador. Em entrevista ao programa Revele, da Rádio Metrópole, nesta quinta-feira (15), ele comentou a origem do festejo e lembrou que a força da celebração vêm da incorporação de práticas religiosas.
“A grande questão é que a força da festa é a sua africanidade. Sem a africanidade, a festa não teria essa visibilidade mundial que tem hoje”, afirmou. Segundo Marlon Marcos, antes mesmo da associação com o Senhor do Bonfim, a região da colina já era vista como espaço sagrado por populações africanas escravizadas, especialmente de matriz banto.
“Muito antes de associar aquele espaço ao Senhor do Bonfim, muita gente já associava ao que seria o lugar do orixá Oxalá”, explicou. Ele ressaltou que a prática da lavagem das escadarias deriva de rituais dos terreiros, como as Águas de Oxalá, que simbolizam renovação e recomeço. “É a tecnologia de lavar o sagrado, de renascer através dessas lavagens, algo que foi transferido do terreiro para a rua”, disse.
O historiador também lembrou que o festejo nem sempre foi aceito pela Igreja Católica. “Teve época em que a lavagem foi proibida, não queriam nem que fosse nas escadarias, porque diziam que o Senhor do Bonfim não tinha nada a ver com Oxalá”, contou. Para ele, o imaginário popular foi decisivo para a consolidação da festa. “A festa só é forte por conta da presença das tradições negro-africanas na cidade do Salvador”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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