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Não existe em nenhum outro lugar, diz Aladilce ao criticar "passarela do apartheid" no Morro do Ipiranga

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Não existe em nenhum outro lugar, diz Aladilce ao criticar "passarela do apartheid" no Morro do Ipiranga

Vereadora concedeu entrevista à Rádio Metropole nesta sexta-feira (6)

Não existe em nenhum outro lugar, diz Aladilce ao criticar "passarela do apartheid" no Morro do Ipiranga

Foto: Samanta Leite/Metropress

Por: Metro1 no dia 06 de fevereiro de 2026 às 08:48

A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) criticou, em entrevista à Rádio Metropole, nesta sexta-feira (6) a passarela de acesso ao camarote Glamour, instalada na encosta do Morro do Ipiranga. Segundo a parlamentar essa estrutura não encontra paralelo em outras cidades e reforça práticas de segregação no Carnaval de Salvador. 

“Isso não é qualquer coisa. A nossa paisagem também é um patrimônio nosso, isso está sendo ofendido com essa passarela. Além disso, tem a questão simbólica, do racismo estrutural, da segregação”, disse a vereadora. Para Aladilce, cabe ao poder público reduzir desigualdades e enfrentar o racismo, não incentivar mecanismos que separam foliões. “Governo existe para promover democracia e igualdade, não para priorizar o empresariado”, afirmou.

A parlamentar também relatou estranheza com a rapidez da prefeitura de Salvador em defender a estrutura. Segundo ela, a autorização foi concedida novamente, apesar da expectativa de que o caso não se repetisse. “Incentiva que pessoas que não querem se misturar no Carnaval passem por cima do circuito. Não vemos isso em lugar nenhum”, criticou.

Aladilce ampliou a crítica ao crescimento dos camarotes, que, segundo ela, já funcionam como espaços de segregação. “Estamos vendo os camarotes crescerem, avançarem para a praia. O Camarote Salvador é um absurdo. Em Ondina, há moradores que se mudam porque não conseguem dormir; três meses antes do Carnaval já não há espaço”, afirmou.

A entrevista ocorreu após a Justiça Federal determinar a interdição imediata da passarela de acesso ao Camarote Glamour. A decisão, da 13ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia, atendeu a ação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA), que apontou risco de dano ambiental e urbanístico. O Conselho já havia cobrado esclarecimentos da prefeitura, alertando que a encosta integra Área de Proteção Cultural e Paisagística e possui trechos de Área de Preservação Permanente, com vegetação de Mata Atlântica, além de ser alvo de Ação Civil Pública sobre a ocupação do local.

Confira a entrevista na íntegra: