Rádio Metropole
Aos Fatos: EUA e Israel iniciam ofensiva contra o Irã e Codesal avalia prédio após explosão no Stiep

Home
/
Notícias
/
Rádio Metropole
/
“Nova ordem mundial está sendo traçada”, afirma Jamil Chade sobre guerra entre EUA, Israel e Irã
Análise aponta riscos geopolíticos e econômicos para o Brasil em meio à escalada militar no Oriente Médio

Foto: Metropress
O jornalista Jamil Chade afirmou que uma nova configuração geopolítica global está em curso ao comentar, nesta segunda-feira (2), no Jornal da Cidade, o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Ele analisou as possíveis motivações dos ataques, os desdobramentos militares, o peso estratégico do Estreito de Ormuz e os impactos para o Brasil na economia mundial.
Segundo Chade, a imprensa norte-americana tem questionado o presidente Donald Trump sobre os reais objetivos da ofensiva. Inicialmente, falava-se em mudança de regime no Irã. No entanto, após os ataques, Trump não mencionou diretamente essa intenção.
“Hoje, na primeira aparição de Donald Trump depois dos ataques, ele citou os objetivos e não falou em mudança de regime. Disse que o governo iraniano não deveria mais financiar o terrorismo no exterior, não deveria ter mísseis balísticos e não deveria possuir armas nucleares, mas não citou a mudança de governo”, explicou o jornalista.
Comparação entre Irã e Venezuela
Chade também comentou a comparação que circula entre Irã e Venezuela, países que possuem grandes reservas de petróleo. Para ele, a analogia é inadequada.
“É absolutamente difícil comparar a situação na Venezuela e a situação no Irã. Eu suspeito, e aí é só uma suspeita, que os norte-americanos acreditavam que, com a morte de 40 líderes iranianos, se abriria espaço para uma espécie de revolução interna, mas isso não aconteceu”, afirmou.
Próximos passos do conflito
Ao projetar os próximos dias, o jornalista destacou que o cenário ainda é incerto. “Tudo vai depender de como esses próximos ataques dos Estados Unidos e de Israel serão realizados. O governo norte-americano tem dito que a grande onda de ataques ainda está por vir”, pontuou.
Estreito de Ormuz como moeda de troca
Após os ataques, o Estreito de Ormuz foi fechado por motivos de segurança, segundo informações divulgadas pela agência estatal iraniana Tasnim. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o estreito é responsável pela passagem de cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo.
Chade destacou que a região tem peso estratégico sobretudo para a China. “40% do petróleo que a China consome passa pelo Estreito de Ormuz. Então, de fato, você ter esse local eventualmente controlado pelos Estados Unidos significa algo estrategicamente muito importante para a China”, analisou.
Brasil fora da mesa de negociações
Ao abordar os reflexos para o Brasil, o jornalista foi enfático: “O Brasil vive uma situação extremamente complicada de forma mais geral, porque a nova ordem mundial está sendo desenhada e nós não estamos nessa mesa de negociações”.
Ele ressaltou que, para o país, é fundamental a manutenção do direito internacional e das regras multilaterais. “O que interessa ao Brasil é a manutenção do direito internacional, porque nós não temos bomba atômica e não temos um Exército capaz de lidar com esse desafio gigantesco, que é um império querendo basicamente manter suas posses e privilégios no século XXI. Então, temos uma situação de vulnerabilidade”, concluiu.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.