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“EUA podem tentar desestabilizar as eleições no Brasil”, diz analista sobre relação entre Trump e Lula
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“EUA podem tentar desestabilizar as eleições no Brasil”, diz analista sobre relação entre Trump e Lula
Jornalista João Paulo Charleaux avalia que tensão política e debate sobre crime organizado podem influenciar o cenário eleitoral de 2026

Foto: Reprodução YouTube
Em entrevista ao Jornal da Cidade nesta segunda-feira (9), o jornalista, escritor e analista político João Paulo Charleaux comentou a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, após críticas de Lula aos ataques contra o Irã.
Durante a análise, Charleaux afirmou que vê um cenário preocupante para o Brasil no período eleitoral de 2026, com possível influência externa no debate político interno.
“Acredito que os Estados Unidos podem intervir no Brasil durante o ano eleitoral para desestabilizar a disputa e desfavorecer o Lula. Essa é uma previsão bastante sombria, baseada no comportamento que o Trump tem demonstrado, com uma postura intervencionista em países com os quais ele não concorda”, disse.
O analista citou episódios envolvendo posicionamentos do governo norte-americano em relação a países como Venezuela, Colômbia, México, Cuba e o próprio Irã. Segundo ele, essas ações indicariam disposição de interferência política ou diplomática quando há divergências com governos estrangeiros.
Charleaux também afirmou que um possível foco do debate eleitoral brasileiro pode girar em torno da segurança pública e do combate ao crime organizado. De acordo com ele, há uma narrativa sendo construída por setores da direita para associar organizações criminosas brasileiras ao debate internacional sobre terrorismo.
“O risco é que essa narrativa tente colar em Lula e no PT a ideia de ligação com grupos criminosos internacionais. Mesmo que não haja uma ação concreta, só o fato de esse tipo de discurso circular já gera ruído e interfere no ambiente político brasileiro”, afirmou.
O analista acrescentou que aliados do bolsonarismo no exterior estariam ampliando esse discurso nas redes sociais, defendendo a classificação de facções brasileiras como organizações narcoterroristas internacionais. Na avaliação dele, esse tema pode ganhar força na disputa eleitoral de 2026, especialmente em torno de candidaturas ligadas à direita.
Para Charleaux, o posicionamento de Trump, que ele classifica como “simpático ao bolsonarismo”, pode influenciar o cenário político brasileiro, sobretudo se o debate eleitoral passar a girar em torno de segurança, crime organizado e relações internacionais.
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