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Laurentino Gomes, autor de “1808”, defende cotas como resposta à herança escravocrata
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Laurentino Gomes, autor de “1808”, defende cotas como resposta à herança escravocrata
Ele afirma que o racismo no Brasil é muito mais silencioso

Foto: Reprodução/Youtube
A herança da escravidão no Brasil e seus reflexos na sociedade atual foram analisados pelo jornalista e escritor autor de "1808", Laurentino Gomes durante o Jornal da Bahia no Ar desta quinta-feira (26). Ao comentar políticas públicas, o escritor defendeu as ações afirmativas como instrumentos necessários para enfrentar desigualdades históricas, ressaltando que elas devem ser vistas como parte de um processo de correção ao longo do tempo.
“As cotas precisam ser apoiadas por ser uma das primeiras tentativas da democracia de corrigir a herança da escravidão. Se daqui a 500 anos o Brasil ainda tiver cotas, tem um problema, mas precisamos corrigir no meio um problema que é do começo”, concluiu
Segundo o escritor, a memória da escravidão é um fator importante, principalmente na eduacação. "Quando a história é distorcida de maneira proposital e passa para os livros didáticos, de alguma forma você está manipulando a maneira como as pessoas se identificam ou a sociedade que elas vivem”, afirmou.
Laurentino também apontou que o racismo no Brasil se manifesta de forma mais silenciosa e estrutural do que explícita. Segundo ele, a aceitação das desigualdades herdadas do período escravocrata revela uma forma de cumplicidade social com esse cenário.
“O preconceito racial está menos no comportamento, embora ele exista. Ele é mais silencioso, cúmplice, que jamais faria uma injúria racial, jamais teria um comportamento racista num shopping center, mas aceita o Brasil do jeito que ele é hoje. Aceitar o Brasil, herdeiro da escravidão e que nunca fez nada para corrigir isso é uma forma de ser racista”, disse.
Confira entrevista completa:
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