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João José Reis detalha Revolta dos Malês e aponta imposição religiosa como estopim

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João José Reis detalha Revolta dos Malês e aponta imposição religiosa como estopim

Historiador apontou, em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta segunda-feira (13), que Malês eram minoria entre africanos, mas tinham organização estruturada

João José Reis detalha Revolta dos Malês e aponta imposição religiosa como estopim

Foto: Metropress/Luan Borges

Por: Metro1 no dia 13 de abril de 2026 às 12:57

A imposição do catolicismo, a repressão cultural e o controle sobre a população africana ajudam a explicar a Revolta dos Malês, ocorrida em 1835, em Salvador. A análise é do historiador João José Reis, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e autor do livro “Rebelião Escrava no Brasil”, que detalhou, em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta segunda-feira (13), como fatores religiosos, sociais e demográficos se combinaram para desencadear o levante liderado por muçulmanos africanos.

“A revolta pode ter acontecido por um acúmulo de experiências ruins por parte da comunidade muçulmana, acontecida em um período muito curto antes da decisão pela revolta. Quer dizer, a minha interpretação é que os malês não pensavam desde sempre em se rebelar. Se eles fossem dados a liberdade religiosa, provavelmente ou eles não se rebelariam ou teriam um tempo mais longo”, disse.

Segundo o historiador, a revolta não foi um plano antigo, mas resultado de pressões recentes sobre a comunidade muçulmana. Ele destaca que africanos escravizados eram obrigados a se submeter ao batismo católico e a um processo de catequização estruturado, inclusive com material específico. Em uma Salvador com cerca de 65 mil habitantes, sendo mais de 20 mil africanos, os malês representavam uma minoria — cerca de 10% —, mas com forte organização religiosa, incluindo práticas, ensino e liderança.

“Todos os africanos eram obrigados a serem batizados pelos seus senhores. Existia, inclusive, um catecismo para o escravizado recém-desembarcado que ele deveria aprender. Inclusive, estava previsto no catecismo que, se ele não soubesse ainda a língua local, portanto, o português, suficientemente para receber a mensagem do Deus católico, ele poderia ser instruído na sua própria língua por um africano já catequizado. E nós não sabemos detalhes de como essa doutrinação era feita, mas eu imagino que a violência também estava envolvida nisso”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra: