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No MK Entrevista, Fernando Morais admite ter errado em ser contra a criação do PT
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No MK Entrevista, Fernando Morais admite ter errado em ser contra a criação do PT
Escritor relembrou aproximação com o presidente durante a ditadura militar e disse que temia divisão da oposição ao regime

Foto: Jovane Jesus
Fernando Morais, jornalista autor de obras consagradas da literatura brasileira e da biografia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que foi contra a criação do Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos finais da ditadura militar. Durante participação no MK Entrevista, nesta quinta-feira (14), o escritor relembrou como conheceu Lula e admitiu que acreditava que a fundação de um partido de esquerda poderia enfraquecer a frente ampla de oposição ao regime militar.
Morais contou que conheceu Lula em 1975, pouco depois da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a ditadura militar. Segundo ele, o então sindicalista foi ao Sindicato dos Jornalistas prestar solidariedade à categoria. “Eu conheci o Lula quando ele ainda era um operário como qualquer outro. Barbudo, desbocado, falava muito palavrão. A gente acabou se aproximando”, relembrou.
O escritor disse que passou a frequentar as greves do ABC Paulista e acompanhar a ascensão de Lula no movimento sindical, mas que se posicionou contra a criação do PT por acreditar que o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) concentrava toda a resistência democrática da época.
“Eu era do velho MDB. Ali tinha gente do PC, do PCdoB, do MR-8, gente que vinha da luta armada e da oposição à ditadura. Eu achava que criar um partido de esquerda naquele momento ia romper a frente de luta contra o regime militar”, afirmou.
Fernando Morais revelou ainda que chegou a fazer críticas públicas ao PT enquanto seguia filiado ao MDB. “Eu não só deixei de entrar no PT, como falava mal do PT. Eu ia para a tribuna e sentava o cacete no PT”, declarou.
Apesar das divergências políticas naquele período, Morais afirmou que manteve a amizade com Lula e disse ter se impressionado com a trajetória do atual presidente. “O cara teve uma infância miserável, saiu de pau de arara de Garanhuns com a mãe e os irmãos, passou fome e virou um dirigente sindical capaz de parar 200 mil, 300 mil trabalhadores. Eu pensava: esse cara tem alguma coisa de especial”, contou.
O escritor ainda afirmou que, mesmo sem ser religioso, chegou a enxergar em Lula uma figura incomum dentro da política brasileira. “Eu não acredito em Deus, mas às vezes parecia que Deus tinha colocado a mão na cabeça dele”, disse.
O MK Entrevista tem patrocínio da Bahiagás e do Governo do Estado da Bahia, com apoio da Embasa.
Confira na íntegra:
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