
Rádio Metropole
Jessé Souza diz que “núcleo duro do bolsonarismo é o pobre remediado”
Sociólogo afirmou à Rádio Metropole que base mais fiel do ex-presidente é formada por brasileiros com renda entre dois e cinco salários mínimos

Foto: Reprodução/Youtube
O sociólogo Jessé Souza afirmou, em entrevista à Rádio Metropole nesta quinta-feira (21), que o “núcleo duro do bolsonarismo” é formado pelo que chamou de “pobre remediado”, grupo composto principalmente por pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos. Segundo ele, trata-se de uma parcela da população que experimentou ascensão econômica nos últimos anos, mas viu esse movimento perder força posteriormente.
“O núcleo duro do bolsonarismo é o pobre remediado”, afirmou. “Cada proposta política tem sempre um segmento social que é o suporte que dá mais intensamente apoio. É esse pessoal que ganha entre dois e cinco salários mínimos e que teve sua ascensão freada”, disse.Para Jessé Souza, quando esse processo de crescimento econômico perdeu força, criou-se um ambiente favorável ao avanço do discurso bolsonarista.
Durante a entrevista, o pesquisador também afirmou que parte da população foi capturada por um processo de desorientação política e social intensificado pelas redes digitais. “A desorientação da nossa população faz com que ela tenha um nível de raiva. Ganha menos e ninguém explica o porquê. E na era das redes sociais aquilo passa a ser certo”, afirmou.
Jessé Souza também comentou o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que o episódio revela relações profundas entre o bolsonarismo e setores do mercado financeiro. “O caso Vorcaro nem é excepcional. Capitalismo financeiro é um grande assalto”, declarou. Segundo ele, existe uma estrutura sustentada pela dívida pública e por mecanismos pouco transparentes. “O Banco Central é um segredo. Não sabemos como são feitos os cálculos e ele monta todos os preços”, afirmou.
Para o sociólogo, o esquema vai além de personagens isolados. “Vorcaro não fez isso só. Os maiores bancos de investimento do país estiveram nisso: XP, BTG, Nubank. Um grande esquema de roubo”, disse. Ele afirmou ainda que teme que as investigações não alcancem os setores mais poderosos do sistema financeiro. “Meu medo é que isso não chegue no principal: a Faria Lima, os bancos e a elite por trás dos bancos, que utilizaram disso e roubaram juntos”, declarou.
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