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“Os conteúdos podem ser falsos e inventados”, diz especialista sobre campanha de 2026
Professor Leonardo Nascimento afirma que medida pode ampliar uso de robôs e inundar WhatsApp com conteúdo eleitoral nas eleições de 2026

Foto: Reprodução @centrodehumanidadesufc
Projeto aprovado pela Câmara permite canal oficial para envio automatizado a eleitores cadastrados, ponto que contraria regras do TSE sobre disparos em massa. Em entrevista para o Jornal da Cidade desta segunda-feira (25), o professor do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTI) da Universidade Federal da Bahia, Leonardo Nascimento, comentou os impactos dessa aprovação na campanha eleitoral de 2026.
Durante a entrevista, o pesquisador afirmou que já é possível identificar movimentações em grupos e canais digitais que costumam anteceder períodos eleitorais. Segundo ele, o fenômeno foi observado nas eleições de 2022 e começa a se repetir.
“O que a gente percebe é uma criação em massa de novos grupos e canais meses antes da eleição”, afirmou. Leonardo explicou ainda que grupos antigos chegam a mudar de nome para aproveitar bases já existentes de usuários e ampliar o alcance de conteúdos políticos.
“Grupos que eram de apostas ilegais, por exemplo, passam a ter o nome de candidatos para aproveitar as pessoas que já estão inscritas ali”, disse.
O professor demonstrou preocupação com a possibilidade de ampliação dos disparos automáticos por aplicativos de mensagem, principalmente no WhatsApp. Para ele, a prática pode transformar o aplicativo em um ambiente ainda mais vulnerável à desinformação e ao envio indiscriminado de propaganda eleitoral.
“Essa coisa do disparo em massa é muito preocupante, porque vai inundar o maior meio de comunicação hoje das pessoas, que é o WhatsApp”, alertou.
Segundo Nascimento, o funcionamento do sistema depende basicamente do acesso a listas de telefones obtidas por vazamentos de dados e do uso de ferramentas automatizadas.
“Você consegue uma listagem de telefones na internet e, com isso, basta pedir aos robôs que preparem conteúdos, verdadeiros ou falsos, para enviar automaticamente para milhares de pessoas”, explicou.
O pesquisador destacou que o problema não se limita à propaganda eleitoral tradicional, mas também ao potencial uso de conteúdos falsos ou manipulados para atacar adversários políticos durante a campanha.
“Você praticamente vai inundar todos os números de WhatsApp do país com conteúdo eleitoral, sem possibilidade de proteção para quem recebe”, afirmou.
Leonardo também comparou o cenário ao crescimento das chamadas telefônicas automáticas de spam, que fizeram muitas pessoas deixarem de atender números desconhecidos.
Confira a entrevista na íntegra:
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