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“A gente ama um esporte que detesta a gente”, diz Milly Lacombe sobre espaço das mulheres no jornalismo esportivo

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“A gente ama um esporte que detesta a gente”, diz Milly Lacombe sobre espaço das mulheres no jornalismo esportivo

Escritora e comentarista afirma que a cobertura esportiva perdeu espaço para profissionais mulheres e critica a violência direcionada às jornalistas

“A gente ama um esporte que detesta a gente”, diz Milly Lacombe sobre espaço das mulheres no jornalismo esportivo

Foto: Reprodução/YouTube

Por: Metro1 no dia 03 de junho de 2026 às 18:36

A jornalista, escritora e comentarista esportiva Milly Lacombe afirmou que as mulheres ainda enfrentam obstáculos diários para trabalhar no jornalismo esportivo brasileiro. Em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta quarta-feira (3), ela avaliou que, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, a presença feminina no setor continua reduzida e marcada por episódios frequentes de violência e discriminação.

Pioneira na cobertura esportiva, com passagens por emissoras como SporTV, Globo e Record, Milly destacou que a permanência das mulheres nesse ambiente depende de resistência constante.

“Trabalhar como mulher nesse universo? É difícil. Todos os dias é difícil. As mulheres que não desistem, elas são a resistência [...] a gente insiste, porque a gente ama demais o futebol. Mas a gente tem a consciência de que ama um esporte que detesta a gente”, afirmou.

Segundo a jornalista, muitas profissionais acabam deixando a área diante das dificuldades enfrentadas ao longo da carreira. Para ela, os espaços destinados às mulheres continuam limitados. “Tem muita mulher que está aí. Mas para cada uma de nós que fica, muitas desistem. E não são muitos espaços ainda. Então a gente ainda é a minoria”, disse.

Menos mulheres na cobertura da Copa do Mundo 

Milly também avaliou que a participação feminina na cobertura esportiva sofreu um retrocesso nos últimos anos. Como exemplo, citou a presença de mulheres na cobertura da atual Copa do Mundo em comparação com a edição anterior. “Se a gente prestar atenção na cobertura que vai ser feita dessa Copa, com todas as emissoras, a gente dá um recuo em relação à cobertura da Copa passada. Tem menos mulheres. É uma cobertura com menos mulheres”, afirmou.

A comentarista reconheceu que o ambiente do futebol costuma ser hostil para profissionais da imprensa de forma geral, mas argumentou que as mulheres enfrentam um tipo específico de violência, com consequências mais graves.

“É claro que tem violência na direção de todo mundo. Se trabalha com futebol, tem um nível de violência alto. Mas a violência que vem para cima das mulheres é uma violência diferente. É uma violência que contém riscos nas nossas vidas”, declarou.

Confira a entrevista na íntegra: