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Octávio Santiago lança em Salvador obra sobre a origem do preconceito contra nordestinos
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Octávio Santiago lança em Salvador obra sobre a origem do preconceito contra nordestinos
Autor defende que o preconceito contra os nordestinos foi historicamente alimentado e permanece presente no imaginário e na produção cultural brasileira

Foto: Reprodução/Youtube
Segundo Octávio, frases aparentemente comuns despertaram o interesse pela pesquisa, como comentários de que ele "não tinha cara de nordestino" ou de que "até trabalhava bem apesar de ser do Nordeste". Para o jornalista, esse tipo de discurso revela uma tentativa de colocar os nordestinos em uma posição de inferioridade, além de reforçar representações estereotipadas da região. "Me incomodava muito ouvir frases como 'você nem tem cara de nordestino' ou 'você até que trabalha bem apesar de ser do Nordeste'. Também me incomodava essa forma de querer representar o Nordeste no audiovisual de maneira enlatada. Queria entender de onde vinha essa ideia do nordestino como um brasileiro inferior, ocupando um lugar menor", afirmou.
Durante a pesquisa, o autor reuniu documentos históricos, biografias e outras fontes que, segundo ele, mostram como foi construída a imagem do Nordeste como um espaço marcado apenas por dificuldades e privações. O trabalho, inicialmente desenvolvido no meio acadêmico, acabou sendo transformado em um livro de não ficção. "Encontrei documentos, biografias e a construção dessa falsa ideia do Nordeste como um lugar de privação. A partir disso, comecei uma pesquisa acadêmica que depois foi adaptada para o livro 'Só sei que foi assim: A trama do preconceito contra o povo do Nordeste'", explicou.
Octávio Santiago ressaltou que o principal objetivo da obra é esclarecer como esse preconceito foi sendo formado ao longo da história e identificar os agentes responsáveis por fortalecer essa narrativa. Para ele, essa visão ainda influencia o imaginário coletivo e continua presente em diferentes manifestações culturais e artísticas. "A intenção é lançar luz sobre a origem desse preconceito, identificando os atores que estão por trás dessa falsa ideia do nordestino como um brasileiro menor. Isso ainda permeia o imaginário nacional e a produção artística", concluiu.
Confira entrevista na íntegra:
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