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João Cezar de Castro Rocha vê defesa da soberania nacional e antilulismo como eixos da disputa de 2026

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João Cezar de Castro Rocha vê defesa da soberania nacional e antilulismo como eixos da disputa de 2026

Em entrevista à Rádio Metropole, escritor afirma que disputa será marcada pela defesa da soberania e pelo antilulismo, critica a família Bolsonaro e cobra mudança da esquerda no combate ao crime organizado

João Cezar de Castro Rocha vê defesa da soberania nacional e antilulismo como eixos da disputa de 2026

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 30 de julho de 2026 às 10:27

A defesa da soberania nacional deve ocupar o centro da disputa presidencial de 2026, substituindo o debate sobre a preservação da democracia que marcou as últimas eleições. A avaliação é do escritor e cientista político João Cezar de Castro Rocha, feita durante entrevista à Rádio Metropole nesta quinta-feira (30). Segundo ele, o cenário eleitoral será definido por dois fatores: a reação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a discussão sobre a autonomia do país diante de interesses externos.

Na avaliação do pesquisador, o debate sobre soberania ganhou força diante da postura adotada por lideranças da direita brasileira. Para ele, parte desse grupo político demonstra disposição para subordinar os interesses nacionais. "A minha intuição é que a eleição deste ano será definida em dois eixos. Um não será mais a defesa da democracia, mas a defesa intransigente da soberania, que está realmente ameaçada. E o elemento central será o antilulismo."

Ele afirmou que o antilulismo não pode ser interpretado apenas como rejeição ao presidente Lula, mas como um movimento histórico ligado à resistência de parte das elites brasileiras às transformações sociais. "O antilulismo não é contra a figura humana do Lula. (...) É uma afloração do que já se chamou de antivarguismo e, na Argentina, de antiperonismo. É a dificuldade de superar a mentalidade escravocrata."

Críticas à "Franquia Bolsonaro"

Ao comentar a atuação da família Bolsonaro, Castro Rocha voltou a utilizar a expressão "Franquia Bolsonaro", criada por ele para caracterizar o grupo político. Segundo o escritor, o termo traduz uma lógica de reprodução de práticas que, em sua avaliação, se repetem entre os integrantes da família. "Os Bolsonaro não são um clã político, porque clã político há muitos. Eles são uma franquia política. São o McDonald's do peculato. A especialidade deles é apropriar-se da coisa pública."

Durante a entrevista, ele também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citando investigações e documentos já divulgados publicamente e afirmando que sua permanência como liderança política lhe causa surpresa. "O caso do Flávio Bolsonaro é tão escandaloso que cega. É espantoso que Flávio Bolsonaro ainda seja competitivo."

Ainda sobre o cenário eleitoral, o cientista político classificou a atual geração de lideranças bolsonaristas como "entreguista" e afirmou que o verdadeiro embate de 2026 será em torno da soberania brasileira.

Segurança pública deve pautar campanhas

Castro Rocha também avaliou que a segurança pública tende a ganhar protagonismo na campanha eleitoral e defendeu uma revisão da estratégia adotada pela esquerda para enfrentar o crime organizado. Segundo ele, embora a direita identifique corretamente a gravidade do problema, costuma apresentar soluções simplificadas, enquanto a esquerda ainda não conseguiu formular uma resposta compatível com a atuação das organizações criminosas.

"A esquerda precisa apresentar um projeto contra o crime organizado que seja de caráter imediatista. Um projeto que siga o dinheiro (...). É preciso uma junção de forças estaduais e federais."

Para o pesquisador, o combate ao crime organizado deve priorizar o rastreamento dos fluxos financeiros que sustentam as facções, em vez de concentrar esforços apenas sobre os executores dos crimes.

Sociedade marcada pelo ódio

Ao analisar o momento político e social do país, Castro Rocha afirmou que o Brasil atravessa um período de radicalização sem precedentes em sua trajetória.O grande mal do mundo hoje é a desfaçatez do mal, não é mais a banalização do mal."

Segundo ele, a sociedade vive uma fase de "vilania ostentação", marcada pela exibição pública da intolerância. "Eu tenho 61 anos. Não lembro de uma época tão definida pelo ódio quanto esta."

Confira na íntegra: