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Especialista diz que punitivismo é usado para "ganhar votos", e não para combater o crime
Ílison Dias concedeu entrevista á Rádio Metropole nesta terça-feira (4)

Foto: Luan Borges/Metropress
O pesquisador e professor Ílison Dias, especialista em criminologia e sistema penal, criticou o uso do endurecimento penal como ferramenta política. Em entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (4), ele afirmou que o discurso punitivista é frequentemente utilizado para conquistar apoio eleitoral, sem enfrentar as causas da violência.
Segundo o especialista, a promessa de ampliar o encarceramento costuma render dividendos políticos, mas não representa uma solução efetiva para a segurança pública. "O punitivismo cotidianamente é usado não para solucionar problemas, mas para ganhar votos. Ganha-se votos dizendo que vai aumentar a quantidade de presos, e não propondo ações concretas", afirmou.
Ílison também criticou o funcionamento do sistema penal brasileiro, que, segundo ele, seleciona seus alvos com base em estereótipos sociais. Para o pesquisador, as forças de segurança concentram sua atuação sobre pessoas pobres, negras e periféricas, enquanto outros tipos de crime acabam recebendo menos atenção.
"A polícia precisa de um método para definir quem vai perseguir e encarcerar, e isso funciona com estereótipos seletivos. Os corpos sociais selecionam determinados corpos e determinados delitos, mais fáceis de serem tratados pelas polícias e de justificar sua existência. Os presídios não estão cheios de pessoas que cometeram crimes de colarinho branco precisamente por essa característica seletiva", disse.
O professor também chamou atenção para o fato de que parte da população mais afetada pelo sistema penal apoia políticas de maior repressão sem perceber que será a principal atingida por elas. "As classes subalternizadas, de origem popular, pretas, pobres e periféricas pedem mais poder punitivo e mais atuações policiais violentas, sem se dar conta de que esse poder que elas solicitam será utilizado contra elas", afirmou.
Ao defender mudanças no sistema prisional, Ílison disse que as unidades não podem deixar de cumprir sua função de reinserção social. "As prisões não podem se converter em campos de concentração da contemporaneidade, em que as pessoas entram mal e saem piores", concluiu.
Confira na íntegra:
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