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“A principal herança é essa”: Juliana Dal Piva analisa força de Jair Bolsonaro na candidatura de Flávio
Jornalista afirma que apoio ao senador está diretamente ligado ao sobrenome do pai e questiona estratégia de moderação e aproximação com mulheres

Foto: Reprodução/YouTube
A força política de Jair Bolsonaro continua sendo o principal ativo da candidatura do filho, Flávio Bolsonaro, à Presidência da República, na avaliação da jornalista Juliana Dal Piva. Em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta quarta-feira (19), afirmou que o desempenho do senador nas pesquisas revela a permanência do capital político do ex-presidente.
“Não são pessoas que apoiam Flávio Bolsonaro, elas apoiam o sobrenome Bolsonaro. Apoiam Jair Bolsonaro e aderiram à candidatura do Flávio por entender que ele representa o pai e representa o que o pai defende”, afirmou.
Para Juliana, a votação projetada para Flávio no segundo turno e sua posição nas pesquisas mostram que, mesmo após os acontecimentos dos últimos anos, o bolsonarismo mantém uma força significativa no país. “O Brasil tem uma força dentro da extrema-direita, e acho que a principal herança é essa”, disse.
Estratégia de moderação
Embora Flávio tente se apresentar como uma alternativa mais moderada, a jornalista considera que a estratégia não se sustenta quando confrontada com o histórico político do senador.
Juliana cita como exemplo o posicionamento de Flávio durante a pandemia. Segundo ela, o senador chegou a defender a cloroquina e o chamado tratamento precoce, ao mesmo tempo em que tenta atualmente construir uma imagem mais distante de posições consideradas extremistas.
A jornalista também menciona manifestações recentes de Flávio sobre as urnas eletrônicas. Para ela, episódios como esses dificultam a tentativa de apresentar o senador como um candidato moderado.
Discurso para as mulheres
A tentativa de conquistar o eleitorado feminino também é vista com ressalvas por Juliana. Flávio tem adotado um discurso de defesa das mulheres, mas a jornalista questiona se a estratégia será capaz de reduzir sua rejeição entre esse público. Para ela, no entanto, a defesa das mulheres precisa ir além da reação a casos de violência já consumados. “Não adianta aparecer só na hora ou quando o feminicídio está já consumado ou na tentativa dele”, disse.
Juliana também questiona o compromisso de políticos com pautas como valorização do trabalho feminino, saúde e garantia de direitos já previstos em lei. Entre os exemplos citados por ela está o aborto legal para vítimas de violência sexual.
Confira a entrevista na íntegra:
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