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Jaques Wagner chama sessão do STF de “Big Brother” e denuncia contaminação eleitoral

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Jaques Wagner chama sessão do STF de “Big Brother” e denuncia contaminação eleitoral

Candidato ao Senado pela Bahia afirmou que o julgamento foi “muito ruim para a democracia” e defendeu mudanças no Judiciário e no sistema político

Jaques Wagner chama sessão do STF de “Big Brother” e denuncia contaminação eleitoral

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 16 de setembro de 2026 às 08:39

Atualizado: no dia 16 de setembro de 2026 às 09:00

O senador Jaques Wagner (PT), candidato ao Senado pela Bahia, classificou a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15) como um “Big Brother” e afirmou que o episódio prejudicou a democracia brasileira. A declaração foi dada à Rádio Metropole nesta quarta-feira (16).

“Quem assistiu ao debate deve dar uma depressão: ‘Esse é meu país? Minha Suprema Corte?’. Isso é ruim para a democracia. Debate de ideias não é para ser aquele Big Brother que foi ontem”, afirmou.

Na avaliação do petista, houve “contaminação eleitoral” na decisão de alguns ministros do STF. Ele defendeu que o debate político fique restrito ao Executivo e ao Legislativo. “Ficou claro que está havendo contaminação eleitoral na decisão de alguns ministros daquela Corte. E dizem que, quando a política entra dentro do tribunal, a Justiça sai. São entes diferentes. Quem tem que fazer política é o Executivo e o Legislativo”, disse.

Wagner também defendeu mudanças no funcionamento do Supremo. Segundo ele, a Corte deveria se concentrar em questões constitucionais, sem receber um volume excessivo de recursos e processos.

A discussão do STF da terça-feira (15) tratava da possibilidade de reunir ou manter separados os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Gilmar Mendes defendeu a análise conjunta dos processos, posição acompanhada por Cristiano Zanin e Moraes. Já o presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça e Luiz Fux votaram pela separação. Cármen Lúcia também havia se posicionado dessa forma, mas o ministro Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da votação.

O pedido ocorreu após uma discussão entre integrantes da Corte. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou ter relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em seguida, Mendonça tentou rebater a declaração, mas foi interrompido por Gilmar Mendes, que o acusou de agir com “desfaçatez”. Diante do clima de tensão, Dino suspendeu a sessão e afirmou que os ministros não tinham condições de deliberar. Com a interrupção, o placar terminou em 4 a 3 pela separação dos casos. A votação deverá ser retomada após as eleições.

Críticas à exposição de investigados

O senador questionou ainda o que considera uma exposição seletiva de pessoas citadas nas investigações. Para ele, alguns nomes são escolhidos para aparecer antes das eleições, enquanto outros não recebem o mesmo tratamento. “Pega quem interessa antes da eleição. Nos outros grupos que também estão citados no processo, ninguém bole”, afirmou.

Wagner também questionou por que informações relacionadas a Flávio não teriam sido divulgadas, apesar de a investigação existir desde junho. Na avaliação dele, o tema deveria ser retomado após as eleições. “Foi feita muita leviandade para atingir com viés político-partidário. Mas, por mim, eu parava, deixava o povo escolher e depois vocês vão lá debater esse tema”, declarou Wagner ao avaliar positivamente o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino, que suspendeu a análise do caso.

Confiaça na vitória de Jerônimo
Jaques Wagner (PT) afirmou que não vê sentimento de mudança na disputa pelo governo estadual e chamou ACM Neto (União Brasil) de “retrocesso”.  “Apesar da pouca idade, a cabeça do adversário de Jerônimo é uma cabeça velha!”, afirmou Wagner. Segundo ele, a mudança defendida por ACM Neto representa um retrocesso para a Bahia. O petista também comparou o ex-prefeito de Salvador ao avô, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães.

Wagner reconheceu que a disputa entre Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto está “pau a pau”, e  também criticou a atuação de Neto na segurança pública e citou a Guarda Municipal de Salvador, afirmando que o ex-prefeito prometeu ampliar o efetivo para 3 mil agentes, mas contratou apenas 21. O petista ainda declarou confiança na vitória de Jerônimo. “Tenho a segurança da vitória. Tenho fé em Deus e no trabalho, tenho fé no que o grupo entregou”, disse. Wagner citou obras realizadas pelo governo estadual e afirmou que o reconhecimento ao trabalho do governador deve crescer com a proximidade da eleição.

Disputa nacional

Sobre a disputa nacional, Wagner defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse não acreditar que ele perderá para Flávio Bolsonaro (PL), apesar das pesquisas que apontam empate entre os dois. O candidato ao Senado criticou a atuação de Flávio no exterior e afirmou que os eleitores devem avaliar o que cada governo entregou ao Brasil.

Defesa do fim da reeleição

Durante a entrevista, o candidato também defendeu o fim da reeleição, a coincidência das eleições e mandatos de cinco anos. Ele criticou o atual calendário eleitoral, com votações a cada dois anos. “Ninguém aguenta mais eleições de dois em dois anos. Tem eleição de deputado estadual que custa R$ 10 milhões”, afirmou.

Crítica às emendas parlamentares

Wagner ainda criticou o modelo de distribuição das emendas parlamentares. Segundo ele, a política brasileira deixou de priorizar o debate de ideias e passou a ser marcada pela disputa por recursos. “A política deixou de ser um debate de ideias e passou a ser debate de caixa, quem dá mais dinheiro”, declarou.

O senador afirmou que mais de R$ 55 bilhões são distribuídos entre deputados e senadores e comparou o cenário ao antigo orçamento secreto. “Em vez de ir discutir política, está indo discutir quem dá mais. Com o sistema que está hoje, estamos corroendo a democracia brasileira”, concluiu.

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