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"Está se discutindo tudo, menos o Brasil"; afirma cientista político sobre a disputa eleitoral de 2026

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"Está se discutindo tudo, menos o Brasil"; afirma cientista político sobre a disputa eleitoral de 2026

Marco Teixeira lamentou a carência de debates e propostas de qualidade durante o período eleitoral e comentou a crise no Supremo e interferência dos EUA

"Está se discutindo tudo, menos o Brasil"; afirma cientista político sobre a disputa eleitoral de 2026

Foto: Reprodução/Facebook/FGV/ Qualidade ampliada com inteligência artificial

Por: Metro1 no dia 28 de setembro de 2026 às 18:50

Atualizado: no dia 28 de setembro de 2026 às 18:55

O cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Teixeira, afirmou em entrevista ao Jornal da Cidade desta segunda-feira (28) que neste período eleitoral “está se discutindo tudo, menos o Brasil”. Além da carência de debates, o especialista discutiu temas de bastante repercussão durante o período eleitoral, como a disputa acirrada entre os candidatos à Presidência Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Ao falar sobre pesquisas eleitorais e intenções de voto, o professor evoca os principais escândalos que fizeram os números dos candidatos oscilarem: “O caso Master eclodiu como uma bomba no colo do candidato Flávio Bolsonaro, sobretudo pela contradição de negar inicialmente e confirmar depois. O caso Lulinha também custou muito caro, pois traz tema da corrupção”, disse. Na análise de Teixeira, na nova onda de revelações o custo para Flávio Bolsonaro (PL) foi bem maior. 

Para ele, a pobreza no debate é a maior carência das Eleições 2026: “está se discutindo tudo, menos o país. O debate é pobre, é preciso investir muito para que as pessoas se animem a ir às urnas. Não sabemos o tamanho da abstenção, mas é bom lembrar que votos têm consequências”, lembrou. O cientista lamentou o “voto contra alguém” ao invés do “voto a favor”, e disse que essa prática vai contra a política, que é baseada no diálogo. 

A recomendação do especialista é que a população estabeleça critérios: “Eu vou votar em quem e por quê? O que mudou na minha vida nos últimos 8 anos? Nessa disputa a população pode comparar os governos Lula e Bolsonaro. Estou esperando muito mais da sociedade do que dos políticos”, confessou. 

Sobre a atual relação do país com os Estados Unidos, o professor afirma que a discussão é um tema central neste período de eleições. Ele sustenta que nenhum país cresce sem administração das próprias riquezas, e que a partir do momento que isso acontece, esse país se torna uma colônia: “Essa não é a vocação do Brasil”, disse. 

O cientista relembra ainda que a relação estabelecida entre Lula e o presidente americano Donald Trump é a de chefes de Estado, e que, apesar do perfil intervencionista de Trump, a postura do governo federal tem sido de enfrentamento, o que ele considera positivo. Além disso, Teixeira destacou a relevância do Brasil no cenário internacional, e que não seria estratégico para o país norte-americano intervir bruscamente num território com essa proeminência. 

“Não dá pra continuar com essa qualidade de disputa eleitoral. Não temos partidos nesta eleição, temos pessoas, mas não dá para ser uma competição entre o sujo e o mal lavado. A política precisa de líderes”, concluiu. 

Confira a entrevista na íntegra: