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Bombeiros da Bahia adotam abordagem humanizada em ocorrências de tentativa de suicídio

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Bombeiros da Bahia adotam abordagem humanizada em ocorrências de tentativa de suicídio

Novo protocolo prioriza escuta ativa, sem julgamentos, e encaminhamento imediato para evitar novas tentativas

Bombeiros da Bahia adotam abordagem humanizada em ocorrências de tentativa de suicídio

Foto: Fernanda Vilas/Metropress

Por: Metro1 no dia 30 de setembro de 2026 às 17:36

Atualizado: no dia 30 de setembro de 2026 às 18:59

O Metropole Mais desta quarta-feira (30) abordou as novas técnicas de salvamento para ocorrências que envolvem tentativa de suicídio, em entrevista com a Tenente-Coronel do Corpos de Bombeiro Militar da Bahia, Jamile Lutiane e a professora Maria Carolina, do Mestrado Profissional em Segurança Pública, Justiça e Cidadania da Universidade Federal da Bahia. O novo protocolo tem como objetivo “preparar a corporação para atender melhor a sociedade”, de acordo com Lutiane. São cinco cursos, voltados a profissionais de todos 20 batalhões operacionais em todo o estado. 

Segundo a professora Maria Carolina, “a saúde mental se tornou um problema transversal após a pandemia”. Ela aponta que a Universidade exerce, justamente, o papel de mediadora, entre o problema e a demanda que a instituição trouxe. No caso da Tenente Lutiane e seus colegas, os cursos já existentes para esse tipo de ocorrência não se adaptavam à realidade baiana, e repensaram a prática. Ela explica ainda que o nome utilizado para os agentes que fazem esse tipo de abordagem é "abordador", enquanto a vítima chama-se "tentante". 

A tenente conta que, anteriormente, a atuação era mais tática: o abordador distraía o tentante e realizava a contenção Porém, esse protocolo não prevenia novas tentativas. Agora, a abordagem é técnica e humanizada: “usamos a conversa ativa, sem julgamentos. Buscamos saber o que aconteceu, o que levou a pessoa àquele estado, ela quer ser ouvida. Fazemos o deslocamento e o encaminhamento imediato. Isso evita novas tentativas”, explicou. 

Lutiane ainda complementa que esses “salvamentos” são delicados: “os tentantes querem socorro, cada um à sua maneira, e desejam ser escutados independentemente de raça ou classe social. Atendemos sempre com base na verdade, sem inventar mentiras ou oferecer o que não podemos cumprir. Preservamos ao máximo a privacidade, porque algumas pessoas se sentem constrangidas”, disse.

Orientações 

A orientação da corporação é que, ao presenciar uma tentativa de suicídio, não se grite nem faça chacotas. Ao invés disso, deve-se ligar para os serviços de emergência e descrever ao máximo tanto o tentante quanto o local. Ela alerta também para outra situação que ela considera alarmante: “Os bombeiros ainda recebem muitos trotes, e isso compromete a disponibilidade do serviço para quem precisa”.

Maria Carolina destaca o interesse dos profissionais que fazem o curso: “Isso me chamou a atenção. Alguns saem direto do plantão ou de uma ocorrência e vão direto para o curso, motivados a desenvolver novas estratégias de atendimento”, revelou. Após ocorrências de crise, os bombeiros são encaminhados à Coordenadoria de Saúde, que por meio do projeto Acolher, são ouvidos e, se necessário, orientados para tratamento:  "Bombeiro não é herói, é ser humano", destacou Lutiane.

Confira a entrevista na íntegra: