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Aos Fatos: Três Pontos analisa avanço da extrema direita e Pedro Doria comenta desempenho de Lula

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Pedro Doria aponta desafio de Lula na classe C e prevê desastre em eventual governo Flávio
Jornalista e escritor afirmou que resultado do primeiro turno mostrou perda de força da esquerda entre eleitores de renda intermediária e em cidades médias e pequenas

Foto: Reprodução/Youtube
O jornalista e escritor Pedro Doria apontou a classe C como o principal desafio eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o resultado do primeiro turno das eleições. Em entrevista à Rádio Metropole nesta quarta-feira (7), ele afirmou que Lula teve bom desempenho entre os brasileiros mais pobres e chegou perto de vencer entre os mais ricos, mas perdeu de forma mais significativa entre eleitores de renda intermediária.
Segundo Doria, a classe E foi a única faixa social em que Lula venceu, enquanto na classe A o presidente chegou próximo de uma vitória. Para ele, o problema está entre brasileiros com renda per capita de R$ 2,5 mil a R$ 5 mil. “A surra eleitoral veio na classe C. Isso é um problema. Alguém que ganha entre R$ 2.500 e R$ 5 mil por mês per capita. Numa família de duas pessoas, o salário total vai de R$ 5 mil a R$ 10 mil”, afirmou.
O jornalista também avaliou que Lula não enfrenta uma rejeição específica entre os eleitores mais ricos. “Lula não tem um problema com a elite, que votou como nunca em Lula”, disse. Na avaliação de Doria, a mudança mais significativa no comportamento eleitoral ocorreu fora das grandes metrópoles. “Nas grandes metrópoles não houve variação de votos, votaram como votaram em Lula em 2022. A virada veio nas cidades médias e pequenas, menos de 50 mil eleitores”, afirmou.
Doria relacionou o resultado a uma dificuldade da esquerda em compreender as mudanças pelas quais passou a sociedade brasileira. Segundo ele, a esquerda estaria tentando oferecer à população aquilo que considera ideal, sem necessariamente considerar as aspirações atuais dos eleitores.
Para o jornalista, a ascensão social vivida por parte da classe C nas últimas décadas alterou as principais preocupações desse grupo. Ele afirmou que, para uma parcela da população, o desafio deixou de ser apenas garantir alimentação e moradia e passou a envolver a manutenção e ampliação das condições conquistadas. “Depois que você viveu ascensão da pobreza, você quer mais”, disse. Na avaliação de Doria, mais da metade da sociedade brasileira tem como preocupação fundamental, ao fim do mês, pagar contas e boletos, dentro de uma realidade social diferente daquela de períodos anteriores.
Ao comentar os candidatos ligados ao bolsonarismo, Doria também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro. Sobre o governo do ex-presidente, foi direto: “Não é que Jair Bolsonaro fez um mau governo. Ele não fez um governo.”
Sobre Flávio Bolsonaro, Doria afirmou que o senador é o mais moderado entre os integrantes da família, mas fez uma acusação contundente sobre sua atuação política. “Flávio Bolsonaro, por um lado, é o mais temperado da família. Tem gestos cordiais, sabe sorrir. Mas também é o mais corrupto de todos os Bolsonaros. A carreira dele, para além disso, é um grande nada. O governo dele vai ser um desastre”, afirmou.
Apesar das avaliações sobre os candidatos, Doria disse que não pretende fazer uma previsão sobre o resultado da disputa presidencial. “Eu, neste momento, não faço apostas de quem será o próximo presidente.”
Confira na íntegra:
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