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Camilo Aggio critica debate eleitoral e diz que Flávio Bolsonaro não respondeu a perguntas

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Camilo Aggio critica debate eleitoral e diz que Flávio Bolsonaro não respondeu a perguntas

Professor e pesquisador em Política avaliou que o segundo turno é marcado por empate técnico e imprevisibilidade; ele também questionou o formato dos debates e as propostas econômicas do candidato do PL

Camilo Aggio critica debate eleitoral e diz que Flávio Bolsonaro não respondeu a perguntas

Foto: Divulgação

Por: Metro1 no dia 20 de outubro de 2026 às 09:57

O professor e pesquisador em Política Camilo Aggio afirmou que o segundo turno das eleições é marcado por uma disputa acirrada e imprevisível. Em entrevista à Rádio Metropole nesta terça-feira (20), ele criticou o formato dos debates eleitorais e avaliou que o candidato à presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, conseguiu participar dos encontros sem responder às perguntas feitas por jornalistas e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Aggio, o cenário de empate técnico entre os candidatos torna difícil prever o resultado da votação. Para ele, os últimos dias de campanha serão decisivos, especialmente pela repercussão das pesquisas e dos eventos midiáticos, que influenciam a discussão pública e as estratégias eleitorais. “Não sabemos exatamente o que vai acontecer, porque realmente nunca tivemos, ao menos desde a redemocratização, algo parecido, uma disputa tão acirrada no segundo turno e um cenário tão imprevisível”, afirmou.

Professor critica formato dos debates

Ao comentar os debates eleitorais, Aggio questionou a dinâmica que prioriza o confronto direto entre os candidatos, em vez da discussão de ideias e propostas. Para ele, os formatos atuais não estão preparados para lidar com candidatos que adotam a estratégia de não responder às perguntas.

“Flávio Bolsonaro não respondeu a uma pergunta”, declarou. O pesquisador também citou a entrevista concedida pelo candidato à jornalista Renata Loprete e afirmou que, apesar das tentativas da entrevistadora, não foi possível obter respostas.

Na avaliação de Aggio, os debates precisam ser reformulados para evitar que candidatos deixem de responder a questionamentos relevantes. Ele defendeu uma discussão sobre a ética do discurso e sobre mecanismos que garantam maior efetividade nesses encontros. “Se nós precisamos de debates para ouvir o que os candidatos têm para propor, mas, mais do que isso, para responder acerca de questões importantíssimas, nós precisamos discutir sobre uma ética, digamos assim, uma ética do discurso e como formatos devem ser construídos”, afirmou.

 Aggio questiona propostas econômicas de Flávio Bolsonaro

O pesquisador também criticou as propostas econômicas do candidato do PL. Segundo ele, há uma contradição entre a promessa de reduzir gastos em R$ 200 bilhões e a apresentação de medidas que, na avaliação do professor, exigiriam grandes investimentos públicos.

Aggio citou como exemplos a proposta de criação do Ministério da Prosperidade, a construção de presídios e a promessa de manter políticas sociais. Para ele, as medidas não apresentam uma explicação suficiente sobre como seriam financiadas. “Essa conta não fecha”, disse.

O professor relacionou o discurso de Flávio Bolsonaro ao populismo contemporâneo de extrema direita, que, segundo ele, oferece soluções simples para problemas complexos. Na avaliação de Aggio, a falta de aprofundamento sobre a viabilidade das propostas prejudica a discussão de projetos para o país.

Professor alerta para desgaste da confiança nas instituições

Aggio também demonstrou preocupação com a perda de confiança nas instituições democráticas e relacionou esse cenário à ascensão de lideranças radicais de extrema direita em diferentes países. “O tapete vermelho é estendido para a tirania quando a confiança nas instituições democráticas começa a ruir”, afirmou.

O pesquisador avaliou que o debate político brasileiro tem se concentrado na rejeição aos candidatos, em vez de priorizar a discussão sobre projetos para o país. Ele também apontou questões socioeconômicas, como o aumento do custo de vida e a concentração de renda, como fatores que contribuem para a insatisfação da população.

Confira na íntegra: