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"O Nordeste está sob ataque"; avalia autor de livro sobre histórico do preconceito contra a região

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"O Nordeste está sob ataque"; avalia autor de livro sobre histórico do preconceito contra a região

Octávio Santiago explora o papel do Nordeste na disputa eleitoral e o porquê da aversão de outras regiões ao peso dos eleitores nordestinos nas urnas

"O Nordeste está sob ataque"; avalia autor de livro sobre histórico do preconceito contra a região

Foto: Reprodução/Youtube/Portal Metro1

Por: Metro1 no dia 23 de outubro de 2026 às 18:35

“O Nordeste está sob ataque”. É o que observa Octavio Santiago, jornalista e autor do livro “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”. Em entrevista ao Jornal da Cidade desta sexta-feira (23), ele afirma que, durante as campanhas eleitorais, é frequente o uso de arquétipos e estereótipos da região, como o quadro de miséria, para se valer do discurso que convém. 

Santiago destaca que a região tem sido responsável por decididir os resultados das eleições presidenciais: “A última palavra é sempre do Nordeste, e esse resultado frustra as expectativas de uma elite que vai às redes sociais para atacar as pessoas que vivem lá”, disse. 

O autor esclareceu ainda que a região não tem “uma agenda única”: “Não queremos só falar da falta de água, queremos falar sobre ciência e educação. Para ele, não se procura entender o porquê das decisões políticas do povo nordestino, e que as mudanças dos indicadores sociais são ignoradas para dar lugar a um discurso reducionista: “Ou a gente não sabe votar ou a gente vai salvar o Brasil”, contou. 

O jornalista reforça que o preconceito com o Nordeste é histórico. Ao longo das suas pesquisas, ele compartilhou um achado num jornal do ano de 1930: “Os questionamentos da época giravam em torno de por que investir nesse lugar se esse lugar não presta? Por que investir num povo que ‘não é brasileiro’? Foi sugerido que nós recebêssemos injeção de sangue europeu, porque éramos mestiços”, afirmou.

Atualmente, Santiago avalia que os símbolos do Nordeste estão na moda, mas que esse respeito não se estende ao sujeito: “Todo mundo gosta de forró, de São João, das comidas nordestinas, mas não querem professores nordestinos ou patrões nordestino”, sustentou. Ele diz ainda que até as produções audiovisuais não contemplam o potencial do território: “Tudo é sobre o retirante. É como se a gente só pudesse existir fora do Nordeste, buscando uma falsa redenção que só o Sul e o Sudeste podem nos dar”, acusou. 

Do novo Governo Federal, que irá assumir após o segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), Octávio Santiago espera que a população possa entender “o que é um presidente que olha para o Nordeste e o que é um presidente que não olha”. Na avaliação dele, a região estaria “em outra época”, se não fosse o investimento dos governos do início do milênio: “Se não fossem os 20 anos entre 2000 e 2020, talvez o Nordeste ainda estivesse na década de 90. Então sobre o futuro, ou vamos para 2027 ou voltamos para 1998”, explicou.

Confira a entrevista na íntegra: