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Celso Amorim aponta independência brasileira como obstáculo à hegemonia dos EUA na América Latina
Durante o programa Três Pontos desta quarta-feira (28), assessor da Presidênica da República afirmou que o Brasil tem peso econômico e diplomático suficiente para contrabalançar a influência norte-americana e ampliar sua capacidade de negociação internacional.

Foto: Reprodução/YouTube
O assessor especial da Presidência da República e conselheiro de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, afirmou que a autonomia brasileira é um dos fatores que provocam incômodo nos Estados Unidos. Em participação no Três Pontos, da Rádio Metropole, nesta quarta-feira (28), ele avaliou que a reeleição de Lula pode fortalecer forças progressistas na América Latina e ampliar o espaço para países que buscam relações internacionais sem subordinação a Washington.
“Sem dúvida, o Brasil tem um grande pecado do ponto de vista dos americanos e dos brasileiros que, infelizmente, aqui vivem somente à sombra dos Estados Unidos, que é ser independente. O Brasil é um país que quer se afirmar e que se afirma independentemente”, disse.
Soberania e interesses estratégicos do Brasil
Amorim destacou que os Estados Unidos já ocuparam o primeiro lugar entre os mercados do Brasil, mas hoje dividem espaço com parceiros como China, União Europeia e Argentina. Segundo ele, o governo busca preservar relações comerciais com os norte-americanos sem abrir mão da soberania, sobretudo na exploração de minerais críticos, considerados estratégicos, e no desenvolvimento da inteligência artificial. O assessor também ressaltou a adesão brasileira à WAICO, organização internacional voltada à cooperação tecnológica e ao uso de código aberto, como alternativa aos modelos fechados adotados por empresas norte-americanas.
Reeleição de Lula e equilíbrio político regional
Ao analisar as possíveis repercussões da vitória de Lula, Amorim afirmou que o resultado brasileiro pode influenciar outros países da região, embora os efeitos não sejam imediatos. “Eu acho que a influência vai se dar aos poucos, porque nenhum país da América do Sul, especialmente, pode ignorar o Brasil. Nós temos fronteiras com dez países e essas fronteiras são, digamos, um caminho natural para a integração. Então todos, de alguma maneira, até países com os quais a gente não tem fronteira, são países que se interessam muito pelo que acontece no Brasil”, explicou.
O assessor avaliou ainda que a reeleição pode reforçar a capacidade brasileira de contrabalançar a influência norte-americana na região. Para ele, a vitória demonstra que forças progressistas podem conquistar o poder democraticamente e contribui para afastar a ideia de transformar a América Latina em um “quintal norte-americano”. Amorim também defendeu relações com países de diferentes orientações políticas, desde que haja respeito, e destacou o peso do mercado brasileiro nas negociações com parceiros como a União Europeia.
Confira o programa na íntegra:
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