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Saúde

Médicos refutam tratamento precoce contra o coronavírus: 'Kit Covid é kit ilusão'

Para Eduardo Novaes e Nanci Silva, doença tem atuação sistêmica no corpo humano

[Médicos refutam tratamento precoce contra o coronavírus: 'Kit Covid é kit ilusão']
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 05 de Fevereiro de 2021 ⋅ 09:48

Os médicos Eduardo Novaes e Nanci Silva comentaram como a Covid-19 interfere em vários sistemas do corpo humano e a dificuldade de tratamento. Em entrevista a Mário Kertész hoje (5), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, eles defenderam uma preocupação maior com pessoas cardiopatas. Para Novaes, que é cardiologista, apesar de influenciar diretamente o sistema respiratório, estudos já indicam o acometimento acentuado de pacientes com comorbidades cardiológicas.

"É uma das questões que mais está sendo comentada. Viram a Covid apenas como uma doença pulmonar, mas começaram a sair uma série de relatos de que existiam grupos de risco, como pessoas que eram portadores de algumas doenças como hipertensão, diabetes e doenças cardiológicas, com maior risco de complicar com a Covid a doença delas. E aí aconteceu um fato meio que inesperado. Alguns pacientes que não tinham nenhum fator de risco começaram a apresentar uma série de complicações cardiológicas. Isso intrigou muito e o vírus passou a ser estudado", declarou o especialista

Já Nanci Silva, que é infectologista, a principal dificuldade para se controlar o contágio da doença é o alto risco para pessoas idosas. "É uma situação muito difícil que a gente está vivendo. Agora, por outro lado, é importante as pessoas saberem que a maioria dos pacientes vai evoluir bem. Se o paciente não tem comportamento de risco, não é diabético ou idoso, ele tem uma evolução mais favorável. Como dizem alguns médicos, a maioria será uma gripezinha. Isso é real. Mas com pacientes graves, os internados e com problemas pulmonares importantes, também estamos atentos à parte cardíaca. É uma doença sistêmica e não de um órgão só", afirma. 

Questionados sobre o tratamento precoce, os dois repudiaram com veemência a defesa de medicamentos feita por autoridades e médicos. A comunidade científica, em inúmeras ocasiões, já repudiou declarações que dizem respeito a substâncias como cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina. "Medicina é ciência, não é ideologia. Tratamento precoce é se tivéssemos uma droga antiviral. Covid é uma doença viral. O uso do kit Covid, como alguns colegas têm colocado, é kit ilusão", disse a infectologista. 

Já Eduardo Novaes alertou para o alto risco para os cardiopatas no uso desses medicamentos. "Essas drogas cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina têm uma relação com ocorrência de arritmia. Antes do uso, é preconizado se fazer um eletrocardiograma. Elas costumam dar uma situação chamada 'aumento do intervalo QT'. Pode dar uma bradicardia, pode dar uma taquicardia ventricular, um bloqueio cardíaco e muitas pessoas nem fazem esse eletro, que deveria ser feito antes de começar o tratamento e ser repetido dois dias depois. Em muitos casos, não deveria nem ter sido iniciado", afirmou.

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