
Saúde
Precisamos 'fazer medicina com base em evidências', afirma infectologista
Médico Tiago Lôbo afirma que há piora dos quadros com o uso de medicações sem efetividade comprovada para Covid-19

Foto: Divulgação
No Jornal da Bahia no Ar, com José Eduardo, o médico infectologista do Instituto Couto Maia, unidade referência para Covid-19 na Bahia, falou sobre a utilização de medicamentos sem efetividade comprovada para Covid-19. Segundo o doutor, com o uso destes profiláticos, o paciente não fica protegido contra a pandemia: "Não tem nenhuma comprovação de que funciona".
"A gente vem vendo um processo de piora dos quadros relacionados ao uso dessas medicações pelo efeito adverso delas. Assim como já vi intoxicações por Vitamina D, (vejo) arritmias por conta da cloroquina. A gente precisa seguir a ciência", informa o infectologista, apontando também as complicações advindas do uso indiscriminado dos medicamentos. Para ele, "é um desserviço que é feito quando a gente (médico) estimula a população a ter uma vida normal (durante a pandemia), a usar medicações profiláticas - que a gente sabe que não serve pra nada, encorajando." O médico também conta que a frequência de uso destes medicamentos é maior nas classes mais abastadas: "Inclusive a maior parcela da população que eu atendo que usa essas drogas é a população de classe A-B, não a população mais pobre".
O Dr. Tiago também fala sobre a desinformação dentro do próprio meio médico que acarreta na prescrição dessas medicações. Para ele, "Eu sei que a maioria que está prescrevendo não está fazendo isso por mal, não está pensando 'eu vou prejudicar o paciente'. Eles pensam realmente que vão ajudar a população, mas primeiro nós precisamos seguir as nossas convicções médicas, que é fazer medicina baseada em evidências. E as evidências hoje mostram que não há efeito profilático nem terapêutico em relação ao vírus no uso dessas medicações", afirmou o médico infectologista. "Não recomendo. Não há nada que suporte o uso na literatura mundial. Os estudos mais robustos não mostram nenhum benefício no uso da ivermectina, nem cloroquina, nem nenhuma outra medicação para tratamento direto do vírus", concluiu.
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