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Governo federal envia equipe emergencial à Terra Yanomami após aumento de casos de coqueluche

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Governo federal envia equipe emergencial à Terra Yanomami após aumento de casos de coqueluche

Força-tarefa do Ministério da Saúde reforça atendimento em Surucucu diante de oito infecções e três mortes registradas na região

Governo federal envia equipe emergencial à Terra Yanomami após aumento de casos de coqueluche

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por: Metro1 no dia 19 de fevereiro de 2026 às 15:02

O Ministério da Saúde mobilizou uma equipe emergencial para ampliar a assistência na base polo de Surucucu, localizada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A medida, anunciada na última quarta-feira (18), foi adotada pelo Governo Federal após o crescimento dos casos de coqueluche entre crianças da região, que já contabiliza oito diagnósticos confirmados e três mortes.

A coqueluche é uma doença respiratória bacteriana altamente transmissível, caracterizada inicialmente por episódios de tosse seca intensa. A equipe enviada chegou ao território na segunda-feira (16), acompanhada por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, profissionais capacitados para atuar na contenção de surtos e no monitoramento de doenças infecciosas.

Os profissionais atuarão em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Yanomami, que já realizava ações em Surucucu, incluindo coleta de amostras e atividades preventivas junto às aldeias próximas. Ao todo, cerca de 50 trabalhadores da saúde reforçarão as ações de prevenção e o atendimento às comunidades locais.

As crianças diagnosticadas com a doença estão internadas em hospitais de Boa Vista, capital de Roraima. Duas delas já receberam alta e retornaram às aldeias de origem, enquanto os casos suspeitos permanecem sob investigação e acompanhamento médico.

Vacinação

 A imunização é considerada a principal forma de prevenção contra a coqueluche. No Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 7 anos e gestantes, por meio das Unidades Básicas de Saúde.

Segundo o Dsei Yanomami, a cobertura vacinal completa entre crianças menores de 1 ano praticamente dobrou entre 2022 e 2025, passando de 29,8% para 57,8%. Entre crianças com menos de 5 anos, o índice subiu de aproximadamente 52% para 73% no mesmo período.

Desafios sanitários

Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência na Terra Indígena Yanomami devido aos elevados índices de desnutrição, malária e mortes por diferentes causas.

Desde então, foram implementadas ações integradas para enfrentar a crise sanitária associada ao garimpo ilegal. A iniciativa envolveu os ministérios da Saúde, da Defesa e dos Povos Indígenas, com foco na reestruturação dos serviços de saúde e no reforço da segurança na região.

Entre as medidas adotadas estão o fechamento de áreas de garimpo ilegal, investimentos no controle do espaço aéreo, iniciativas de despoluição dos rios, ampliação do acesso à água potável e construção de unidades especializadas de atendimento em saúde. Em 2023, o Dsei Yanomami contava com 690 profissionais. Desde então, foram contratados mais 1.165 trabalhadores, representando um aumento de 169% no efetivo.

Dados do Ministério da Saúde de 2025 apontam que, desde a decretação da emergência, a mortalidade na região apresentou queda de 27,6%. Apesar dos avanços, lideranças indígenas destacam que ainda persistem desafios significativos. Com mais de 30 mil habitantes distribuídos em cerca de 376 comunidades, a Terra Indígena Yanomami é o maior território indígena do Brasil.