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Fiocruz registra patente de composto contra malária resistente

Saúde

Fiocruz registra patente de composto contra malária resistente

Método utiliza molécula capaz de agir contra formas graves da doença e cepas resistentes aos tratamentos atuais

Fiocruz registra patente de composto contra malária resistente

Foto: Alex Pazuello/Secom

Por: Metro1 no dia 08 de maio de 2026 às 07:24

A Fundação Oswaldo Cruz conquistou uma patente internacional para um método de tratamento voltado ao combate da malária resistente a medicamentos tradicionais. O registro foi concedido pelo escritório de patentes dos Estados Unidos e envolve pesquisadores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais.

O estudo gira em torno do composto DAQ, uma molécula que apresentou resultados positivos contra cepas resistentes do Plasmodium falciparum, parasita responsável pelas formas mais graves da malária. Segundo os pesquisadores, o diferencial da substância está na capacidade de driblar mecanismos de resistência desenvolvidos pelo próprio microrganismo ao longo do tempo.

Embora o potencial antimalárico do DAQ já fosse conhecido desde os anos 1960, a equipe da Fiocruz retomou as pesquisas utilizando técnicas mais modernas de química e biologia molecular. Os estudos identificaram uma característica estrutural considerada decisiva para a eficácia da molécula: uma ligação tripla presente na cadeia química do composto.

O funcionamento do DAQ é semelhante ao da cloroquina. A substância interfere em um mecanismo utilizado pelo parasita durante a digestão da hemoglobina humana. Ao bloquear esse processo de defesa, o composto impede que o microrganismo neutralize substâncias tóxicas produzidas por ele mesmo, levando à morte do parasita.

Além de apresentar ação rápida nas fases iniciais da infecção, o composto também demonstrou potencial contra o Plasmodium vivax, responsável pela maior parte dos casos registrados no Brasil. Outro ponto considerado estratégico pelos pesquisadores é o baixo custo estimado para produção da molécula, o que pode facilitar o acesso ao tratamento em países onde a doença ainda é endêmica.

A pesquisa contou com a colaboração de instituições brasileiras e internacionais, entre elas a University of California San Francisco, a Universidade Federal de Alagoas, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de São Paulo.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores destacam que o desenvolvimento do tratamento ainda depende de novas etapas, como testes de toxicidade, definição de doses seguras e criação da formulação farmacêutica adequada. A patente tem validade até setembro de 2041.