
Saúde
Vacina personalizada contra melanoma reduz em 42% risco de morte ou retorno da doença
Tratamento desenvolvido pela Moderna e pela MSD combina tecnologia de mRNA com imunoterapia e pode chegar ao mercado em 2027, segundo a fabricante

Foto: Dado Ruvic/Divulgação
Uma vacina personalizada contra o melanoma reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência da doença em pacientes tratados com a combinação de um imunizante experimental e o medicamento Keytruda. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (22) pela Moderna e pela MSD, após a conclusão de um estudo clínico de fase 3, etapa final de testes antes de um possível pedido de aprovação.
A pesquisa acompanhou pacientes que receberam os dois tratamentos e comparou os resultados com os de pessoas que utilizaram apenas o Keytruda, uma das terapias padrão contra o melanoma. Após dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a combinação permaneciam sem sinais da doença, contra 70% no grupo que usou somente o imunoterápico.
O estudo também identificou uma redução de 38% no risco de metástase, quando o câncer se espalha para outros órgãos.
O imunizante, chamado intismeran autogene, utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para orientar o sistema imunológico a reconhecer características específicas do tumor de cada paciente. A proposta é tratar um câncer já existente, diferentemente das vacinas tradicionais usadas para prevenir doenças infecciosas.
“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é por acaso”, afirmou o oncologista Hussein Tawbi, especialista em melanoma e um dos investigadores do estudo no MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas.
Os resultados completos serão apresentados neste sábado (24), durante o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri.
Como o tratamento é desenvolvido
O processo começa com a análise de uma amostra do tumor removido durante a cirurgia. O material genético é sequenciado para identificar mutações específicas do câncer. Com essas informações, a vacina é produzida individualmente, com instruções para até 34 alvos relacionados ao tumor.
Depois da aplicação, o mRNA orienta as células do organismo a produzir essas estruturas, permitindo que o sistema imunológico aprenda a reconhecê-las e ataque as células cancerosas que apresentam as mesmas características.
O Keytruda complementa a ação da vacina ao bloquear um mecanismo que os tumores utilizam para escapar das defesas do organismo. A combinação busca, assim, ensinar o sistema imune a identificar o câncer e facilitar o ataque às células tumorais.
Próximos passos
A Moderna e a MSD se preparam para solicitar a aprovação do tratamento nos Estados Unidos. Segundo o presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027.
Até a publicação do texto original, a Moderna ainda não havia respondido ao questionamento sobre a previsão de um pedido de aprovação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O melanoma se desenvolve nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele. Apesar de ser menos frequente do que outros tipos de câncer de pele, é considerado o mais agressivo devido à capacidade de se espalhar para outras partes do corpo.
📲 Clique aqui para fazer parte do novo canal da Metropole no WhatsApp.

