
Saúde
Especialistas destacam como o peso influencia o risco e o tratamento do câncer de mama
Na Bahia, a estimativa é de 4.480 novos casos da doença em 2026, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Foto: Divulgação/Sociedade Brasileira de Mastologia
O excesso de peso é cada vez mais frequente entre os adultos brasileiros e também pode fazer parte da conversa sobre prevenção e tratamento do câncer de mama. Na Bahia, a estimativa é de 4.480 novos casos da doença em 2026, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Mas a relação entre peso e câncer é complexa: o excesso de gordura corporal está associado a um maior risco de câncer de mama após a menopausa, sem significar, isoladamente, que uma mulher desenvolverá a doença.
“O câncer de mama é uma doença multifatorial, que envolve fatores genéticos, hormonais, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Da mesma forma que a obesidade não determina o surgimento do câncer, estar dentro de uma faixa de peso considerada saudável também não elimina esse risco”, explica a oncologista Marília Sampaio, da clínica AMO.
A história de Viviane Galina, de 47 anos, mostra como essa relação também pode aparecer depois do diagnóstico. Ela descobriu o câncer de mama em julho de 2024. Na época, era sedentária e chegou a pesar 97 quilos. Durante o tratamento, o excesso de peso apareceu como obstáculo.
“Eu não conseguia fazer exercício por causa do excesso de peso. Tinha fadiga e sentia muitas dores”, lembra. Hoje, Viviane está 17 quilos mais leve e incorporou novos hábitos à rotina. “Hoje eu sou minha prioridade. Não abro mão de cuidar de mim, fazer atividade física, me alimentar bem. Podemos ter tudo, mas, se não tivermos saúde, não temos nada.”
Para a endocrinologista Mariana Lopes, do Hospital da Bahia, o cuidado não deve se resumir ao número mostrado na balança. O Índice de Massa Corporal (IMC), isoladamente, não traduz a complexidade da saúde metabólica.
“O objetivo é melhorar a saúde e reduzir fatores de risco ao longo da vida, sem perseguir um padrão estético. Atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso e da gordura corporal e qualidade do sono são estratégias importantes para a saúde da mulher como um todo”, afirma.
Para quem já recebeu o diagnóstico de câncer de mama, a atividade física é uma importante aliada durante e depois do tratamento. O exercício, quando adaptado às condições clínicas de cada paciente, pode contribuir para preservar massa e força muscular, reduzir fadiga, ansiedade e dores articulares e melhorar a qualidade de vida. Por isso, o acompanhamento deve considerar não apenas o tumor, mas a mulher em sua integralidade.
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