Saúde

Médicos defendem atendimento ao paciente com 'decisão compartilhada'

Na medicina centrada na pessoa, paciente compartilha as informações sobre o que está sentindo para chegaram juntos a melhor solução sobre a doença

[Médicos defendem atendimento ao paciente com 'decisão compartilhada' ]
Foto : Matheus Simoni/ Metropress

Por Juliana Almirante no dia 23 de Outubro de 2019 ⋅ 09:38

O gerente médico do Hospital Aliança Eduardo Novaes e o médico cardiologista da unidade médica Luis Claudio Correia defenderam, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (23), uma forma de atendimento que é conhecida como "Medicina centrada na pessoa", que resulta em uma decisão compartilhada entre o profissional e o paciente.

Eduardo Novaes explica que, muitas vezes, o médico fica centrado apenas na doença, porque é formado pelo modelo biomédico e treinado para saber qual os exames deve solicitar e remédios que deve receitar.

Com isso, acaba sem perceber a experiência do paciente sobre a enfermidade que está passando. Na medicina centrada na pessoa, o paciente compartilha as informações sobre o que está sentindo para chegaram juntos a melhor solução sobre a doença.

"É preciso atitude de parceria, de compartilhamento de poder e entender que esse momento mudou. Hoje as pessoas tem acesso a informação muito fácil e precisa ter informação sobre a doença delas. Está comprovado que, quanto mais você se apropriar do que faz sentido para você e do remédio, e se não vai tomar remédio, porque disso, é o que leva à boa adesão ao tratamento", explica.

Novaes afirma que, nesse método de atendimento, o médico inclui na conversa com o paciente perguntas além do comum "O que está sentindo?". O profissional de medicina também procura saber o que preocupa e o que é mais importante para o paciente, por exemplo.

"É o que a gente chama hoje de decisão compartilhada. É preciso educar ele sobre a doença e ele precisa me educar sobre ele. A gente pode ter linguagem positiva e no final conseguimos juntos decidir o que é melhor no momento, porque isso é dinâmico e pode mudar", diz ele. 

O cardiologista Luis Claudio Correia considera que a medicina não costuma ser centrada no paciente porque não é tradição do médico nem da sociedade. Para ele, apesar de os estudantes saberem da necessidade de ter atendimento mais humano, existe uma lacuna entre o conhecimento e o comportamento. 

"Tradicionalmente, na sociedade, o médico tem uma atitude paternalista com o paciente. Ele é o dono da verdade e como disse Hipócrates é ultrajante ouvir do paciente o que fazer. A decisão compartilhada não é dar oportunidade ao paciente de dar sua opinião. É o paciente influenciar a opinião do médico. O que é natural é dar opinião do pedestal e cabe ao paciente até pensar se vai concordar ou não. Mas a verdadeira decisão compartilhada é quando conheço meu paciente enquanto pessoa e adapta a recomendação que é eficaz do ponto de vista clínico à melhor para o paciente", afirma. 

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