
Saúde
Cremeb acusa ANS de negligência em casos como o da Cassi

Foto: Reprodução / Cassi
A Rádio Metrópole continua na apuração das causas para o número de denúncias enviadas pelos ouvintes sobre as constantes negativas dos planos de saúde na hora de autorizar uma cirurgia ou qualquer procedimento, e até mesmo os materiais solicitados pelo médico. De acordo com dados do Procon Bahia, o número de reclamações referentes aos planos de saúde em 2015, até o dia 13 de novembro, chega a mais de 670, onde as principais ocorrências são: abrangência de cobertura, negativa de cobertura e descumprimento de oferta.
O metro1 divulgou recentemente a história do estudante de engenharia, Luter Fontes, de 26 anos, filho da jornalista Malu Fontes, que sofre atualmente com a negativa do plano Cassi. Ao receber a recomendação do médico Frederico Mascarenhas, do Hospital São Rafael, para uma cirurgia, passou por duas situações: a primeira quando teve o procedimento autorizado pela central nacional do plano de saúde, e a segunda quando a sede em Salvador negou os materiais solicitados pelo médico.
Em resposta, o presidente do Cremeb na Bahia, Otávio Marambaia, explica que a negativa tem que ser explicada ao Conselho Regional e que existem formas de conseguir, mesmo que burocráticas, a aprovação. No entanto, ele acusa os planos de negligenciarem com a saúde do paciente. “Nós temos uma visão bastante clara sobre os planos de saúde. A maioria deles quer lucro, obviamente que eles vão negar, postergar, impedir muitas vezes a realização do procedimento, porque eles trabalham sob a ótica de ter lucro. Ainda aqueles que não tem o objetivo claro da lucratividade, como são os planos de alta gestão, eles se movem em função dos custos para fazer com que no final do mês se paguem as contas e fazem isso em detrimento do bem estar do paciente e interferindo na atividade do médico”, pontuou.
O presidente da entidade lembra que o Cremeb tem gerência apenas pelo médico auditor que atua nos planos de saúde na questão das negativas dos procedimentos e que, caso haja denúncia, o profissional pode ser chamado para responder sobre a legitimidade da negativa. Porém, sobre o trabalho regulador da ANS, Marambaia ataca a ineficiência do órgão. “Eu tenho grande desconfiança da ANS. Eu diria que a ANS deveria ser chamada de 'associação nacional das seguradoras', porque ela defende o plano de saúde, muitas vezes em detrimento do consumidor e pior ainda, em detrimento do profissional médico. De toda sorte é sempre conveniente que o paciente faça uma queixa contra o seu plano, de modo a obrigá-la a fazer o trabalho fiscalizatório, que ela não faz. Haja vista que grande parte da diretoria da ANS é de migrante de plano de saúde ou vice e versa”, acusou Marambaia.
Em nota, a ANS se eximiu das acusações e apresentou que, no segundo semestre de 2015, o índice de resolutividade do núcleo responsável pela mediação de conflitos entre beneficiários de planos de saúde e operadoras, atingiu mais de 87%, quando consideradas as demandas de natureza assistencial. Apontou também que, de janeiro a junho deste ano, a ANS recebeu cerca de 42 mil reclamações e, destas, quase 30 mil foram relativas a questões assistenciais, como descumprimento dos prazos de atendimento e negativas de cobertura. Mas, não se pronunciou diretamente sobre o caso da Cassi, que autorizou uma cirurgia, mas negou os materiais solicitados pelo médico. Por sua vez, o plano em questão já pontou que não responde a casos específicos à imprensa e também não se posicionou.
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