Saúde

'É interessante indivíduo se colocar em diferentes cadeiras', diz psiquiatra sobre Terapia Cognitiva Processual

Irismar Reis de Oliveira criou método que coloca paciente em uma espécie de julgamento, assumindo diferentes papéis, de réu, advogado e promotor

['É interessante indivíduo se colocar em diferentes cadeiras', diz psiquiatra sobre Terapia Cognitiva Processual]
Foto : Tácio Moreira/Metropress

Por Juliana Almirante no dia 05 de Novembro de 2019 ⋅ 08:59

O médico psiquiatra e professor titular de psiquiatria da Ufba Irismar Reis de Oliveira explicou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (5), como é o método TCP (Terapia Cognitiva Processual). 

Ele afirma que a abordagem surgiu ao colocar em prática o método a Terapia Cognitiva Comportamental, que surgiu na decada de 70, nos EUA, criado pelo psiquiata Aaron Beck. 

Irismar diz que percebeu que os pacientes tinham pensamentos explícitos negativos e resolveu criar técnicas para modificar esses pensamentos. Foi quando percebeu que tinha concebido algo novo. 

"As principais técnicas que desenvolvi têm linguagem jurídica. Por exemplo, eu faço um processo, um julgamento com as pessoas, para que elas julguem os próprios pensamentos mais profundos, no sentido de se condenarem ou não. É muito interessante o indivíduo se colocar em diferentes cadeiras para ser o réu, para ser o promotor de si mesmo, para ser o advogado de defesa de si mesmo e para ser um jurado. No final das contas, as pessoas acabam se absolvendo, porque a gente está falando de crenças. Muitas crenças negativas são distorcidas, então não são aceitas como provas em um tribunal", explica o professor. 

Ele argumenta que há vários fatores que levam uma pessoa a ter pensamentos mais negativos ou mais positivos, a exemplo da história de vida. Irismar exemplifica que, mesmo que haja pessoas que passam por situações adversas e mantenham otimismo, há outras que passam por traumas, a exemplo de abuso sexual, o que torna mais difícil ter pensamentos positivos.

"O que a gente sabe é que grande parte dos pensamentos que temos sofrem algum nível de distorção, para mais ou para menos. Na medida em que o indivíduo aprende técnicas para corrigir essas distorções, naturalmente o que ele vai sentir e fazer, de alguma forma, se aproxima mais daquilo que deseja e da realidade", defende. 

No método da terapia cognitiva, segundo o psiquiatra, é possível que o paciente aprenda as técnicas para então usá-las no cotidiano. 

"O que a gente faz na terapia cognitiva é exatamente usar tecnicas e eventualmente ensinar essas técnicas ao individuo, para que ele possa usar fora dali, para o resto da sua vida. ou seja, é um aprendizado. Na terapia cognitiva, o lado psico-educativo é extremamente importante", explica. 

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