Saúde

Bolsonaro 'deve reconhecer que estamos em guerra com o coronavírus', diz Badaró

Infectologista aponta saídas para enfrentar a crise causada pela doença no país

[Bolsonaro 'deve reconhecer que estamos em guerra com o coronavírus', diz Badaró]
Foto : Matheus Simoni/ Metropress

Por Juliana Almirante no dia 02 de Abril de 2020 ⋅ 09:54

O médico infectologista Roberto Badaró declarou, em entrevista à Rádio Metrópole, na manhã de hoje, que o presidente da República, Jair Bolsonaro, deve reconhecer que o país, assim como o resto do mundo, enfrenta uma situação semelhante a uma guerra diante da crise do novo coronavírus.

‘Hoje quero mandar uma mensagem para o presidente. Ele deve reconhecer que estamos em guerra com o coronavírus. Guerra que devemos lutar para vencer. Claro que a economia está no tanque dessa guerra, em qualquer lugar do mundo, e sabemos que milhões de pessoas estão em risco de vida e em perigo. A maioria das análises de economistas assume que essa pandemia e o revés da economia devem ocorrer durante um período muito longo e não precisa mais ficar falando disso. Mas há uma forma dominante, que nós temos que pesar as fatalidades. O presidente deve encarar que é uma guerra e que o objetivo não deve ser somente aplanar a curva do crescimento, é esmagar a curva de crescimento”, defendeu.

Ele citou que a China já fez isso e que o Brasil teria as próximas semanas para fazer o mesmo, já que os números crescem em todo o país. O infectologista aponta que é preciso identificar quem são os infectados, a rapidez com que o vírus se move e onde é mais ameaçador e mais vulnerável.

“O Brasil precisa se equipar para fazer milhões de testes em semanas . O sucesso da Coreia do Sul foi esse e a gente não está avaliando. Sem teste, a gente fica atirando no escuro”, destaca.

Badaró ainda ressaltou a necessidade de fornecer Equipamentos de Proteção Individual a todos os trabalhadores de saúde, de forma prioritária. “Infelizmente, tem vários médicos na Bahia com coronavírus, porque não tem EPI. Faltam equipamentos nos hospitais para cuidar do paciente doente. Não é porque o governo não quer suprir, é porque falta mesmo. Isso não é problema da Bahia ou de São Paulo, é de todos os serviços. Qualquer general sabe que enviar soldado sem colete e arma é suicídio. profissionais de saúde que estão na linha de frente não merecem isso”, disse.
 

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