Saúde

Jairo Bouer alerta para uso excessivo de álcool e ansiolíticos durante pandemia

Psiquiatra afirma que algumas publicações do mundo já falam em pandemia de transtornos mentais por conta das mudanças provocadas pelo novo coronavírus

[Jairo Bouer alerta para uso excessivo de álcool e ansiolíticos durante pandemia ]
Foto : Divulgação

Por Juliana Almirante no dia 08 de Abril de 2020 ⋅ 12:59

O médico psiquiatra, educador e escritor Jairo Bauer alertou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (8), para o uso em excesso de drogas e de medicamentos para conter a ansiedade e a tensão.  Ele afirma que algumas publicações do mundo já falam em pandemia de transtornos mentais por conta das mudanças provocadas pelo novo coronavírus.

“As pessoas estão bebendo mais, estão usando mais remédio para ansiedade e usado mais drogas. É o que a gente tem percebido. Essa é situação que a gente vê com alguma frequência diante de momentos de muita ansiedade. O que recomendamos é que, se tem dificuldade de lidar com seu consumo de álcool, evite beber com excesso. Quem bebe recreativamente e lida bem com isso, é só observar se está aumentando muito o padrão. Muito cuidado também com a questão dos medicamentos. Tem gente que está tomando ansiolíticos e fica o dia todo dopado, o que não é legal”, afirmou.

Ele recomenda que devemos reiventar nossa rotina, para evitar recorrer à utilização dessas substâncias.

“A gente tem que descobrir uma nova rotina e criar mais coisas para fazer. Tem muita gente que está trabalhando em casa e que tem que cuidar do aprendizado de filhos em casa. Tem gente que está fazendo serviço doméstico. Acho que dá para conversar, dá para dividir atividades em casa e se programar para não ficar ansioso o dia inteiro e não recorrer a substâncias para aliviar essa ansiedade, que nunca é uma boa situação”, declarou.

Confira mais algumas recomendações:

Como lidar com incertezas

“A gente vive de incertezas, porque a gente não conhece muito bem esse agente infeccioso, esse vírus. A gente vai aprendendo conforme as coisas acontecem. A gente vai trocando o pneu do carro com o carro andando. Além dessas incertezas, as questões do isolamento são muito importantes, nesse momento, que acabam gerando na gente mudança na rotina e limitações na vida social. Isso vem junto com uma questão grande de saúde mental. O que a gente estava discutindo, com um grupo de colega psiquiatras, e algumas publicações do mundo já falam também em uma pandemia de transtornos mentais, seguindo essa pandemia de coronavírus. Muita gente com quadro de ansiedade, estresse e depressão e a agudização de quadros que eram controlados. Gente que nunca teve começa a ter. Então a saúde mental das pessoas também é um foco importante nesse momento. Eu tenho certeza que a gente vai passar por isso. Nada como um dia depois do outro para a gente poder chegar lá no final”

Atenção para “desfocar” da pandemia 

“Concordo que não dá pra ficar pensando em coronavírus o tempo inteiro, se não, a gente fica muito mais estressado e é mais arriscado ter quadro de crise de pânico e ansiedade. Acho que é aproveitar o momento para fazer coisas que a gente reclama que não tem tempo. Livros que a gente quer ler, séries e filmes que ainda não teve oportunidade de ver. Conversar com amigos que, muitas vezes, estão em suas casas e, na correria do dia-a-dia, não tem hábito de se falar. Ouvir música, enfim, desfocar. Não ficar o tempo todo falando e se informando sobre coronavírus. A gente sabe que essa informação muito grande e regular acaba sendo um fator muito grande para gerar ansiedade. Ao mesmo tempo, as pessoas estão curiosas e com vontade de saber quanto tempo vão ficar em casa e quando vai poder flexibilizar, como lidar com tantas incertezas. A mídia está produzindo conteúdo o tempo inteiro. Por outro lado, cada um de nós tem que regular a quantidade de informação que a gente tolera. E quando não aguenta, tem que fazer outras coisas que podem ser bacanas e legais, que podem ajudar a gente a desfocar”

Como lidar com o parceiro e a família

“Muita gente está isolado sozinho, mas muita gente está sendo obrigado a reviver uma convivência familiar muito intensa. Casais que se viam só à noite ou que se viam com mais intensidade só no final de semana. Filhos que conviviam com seus pais uma ou duas horas por dia. Isso traz uma série de questões. Relacionamentos que não estavam bem podem piorar. Os relacionamentos que não estavam bem você pode ter oportunidade de entender o que não estava bem e se debruçar sobre isso e reverter essa situação. Então cada caso é um caso. Mas, sem dúvida nenhuma, os casais e as famílias estão tendo que se reiventar nesse momento, não é? A gente entra em uma zona de conforto no relacionamento, em que vai passando duas horas junto de vez em quando, e de repente está com a pessoa o tempo inteiro. Ou o relacionamento pode ficar complicado com essa convivência intensa ou pode reverter”

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