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Conversar com crianças sobre pandemia é ‘essencial’, diz psicólogo Alessandro Marimipietri 

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Conversar com crianças sobre pandemia é ‘essencial’, diz psicólogo Alessandro Marimipietri 

Ele deu dicas de como filtrar as informações e explicar aos menores a situação que afeta todo o mundo

Conversar com crianças sobre pandemia é ‘essencial’, diz psicólogo Alessandro Marimipietri 

Foto: Reprodução/ TV Globo

Por: Juliana Almirante no dia 14 de abril de 2020 às 11:59

O psicólogo e professor Alessandro Marimipetri afirmou hoje (14), em entrevista à Rádio Metrópole, que é essencial que os pais conversem com as crianças sobre a pandemia do coronavírus. 

“Essa conversa é essencial. Isso precisa ser feito. Uma criança que atravessa isso sem uma narrativa parental bem feita é uma criança que está vulnerável e em risco. Ela precisa dessa narrativa porque esses são os insumos simbólicos que ela vai ter para elaborar essa situação difícil que está vivendo”

Para isso, ele deu dicas de como filtrar as informações e explicar aos menores a situação que afeta todo o mundo.

“A primeira dica é: escute da criança o que ela já sabe sobre isso. Pergunte a ele se ele sabe, o que está achando, como está sendo ficar em casa. Porque a percepção da criança vai ser uma pista boa para você saber qual o tom da sua narrativa, porque a partir do que ela já sabe e elabora, você vai conseguindo construir uma narrativa adequada. Segundo aspecto: filtre as informações. Não é pra dar um boletim epidemiológico para uma criança de 4 anos. Isso pode aumentar a ansiedade dela. Se você fornece informações com as quais ela não tem como lidar, ela pode ficar mais vulnerabilizada. Crie, para crianças menores, uma atmosfera lúdica sobre essa narrativa, conte uma história”, afirmou. 

Ele recomendou ainda a publicação “Cartas as meninas e aos meninos em tempos de Covid-19”, elaborada pelo Fórum Mineiro de Educação Infantil (FMEI) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Alessandro Marimipetri também destacou a importância de que os pais estimulem os filhos a expressarem o que sentem diante da situação.

“É fundamental que os pais incentivam que crianças expressem o que sentem. Ela estará mais perto de possibilidade de elaboração e, do ponto de vista psíquico, estará promovendo saúde. Embora as circunstâncias sejam devastadoras, quando uma criança pode expressar isso e manifestar o que está ocorrendo no seu mundo interno, aumentam de forma expressiva as chances de ela sair disso melhor”, explicou.

O psicólogo ainda ressaltou a necessidade de que as crianças tenham contatos sociais e estabeleçam rotinas.

“Segunda coisa é manter contato com familiares, colegas de escola, falar com idosos diariamente, isso é importante e mostra que fazemos parte de um coletivo. De que estamos juntos e que todo sacrifício que fazemos é por um bem maior. Toda vez que a gente faz um sacrifício pessoal em troca de um bem maior, é muito mais fácil a gente atravessar isso. Construir uma narrativa de forma que ela possa entender. Tenta construir rotina que tenha algum tempo de estudo, cuidado com exageros, que garanta movimento corporal dentro de casa, porque crianças interpretam realidade a partir do corpo, que tenham alguns momentos para diversão diversificada e cuidado com excesso de telas, e que ocorra um momento em família para fazer coisas juntos, implicando também as crianças nas atividades da casa”, sugeriu.