Saúde

Cardiologista alerta para riscos de mortes em casa na pandemia

José Carlos Brito lamenta desistência de pacientes em buscar atendimento médico em hospitais por medo de contaminação

[Cardiologista alerta para riscos de mortes em casa na pandemia]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 29 de Junho de 2020 ⋅ 12:39

O médico cardiologista e ex-presidente da Associação Baiana de Medicina José Carlos Brito falou, em entrevista à Rádio Metrópole hoje (29), sobre os riscos que vivem pacientes com comorbidades cardíacas diante da pandemia de coronavírus. Ele comentou, em conversa com Mário Kertész, a necessidade de se buscar atendimento médico, mesmo com a necessidade de garantir o isolamento social. 

"É uma enorme preocupação, não só da área cardiológica e sim da medicina em geral, que está assistindo os pacientes procurarem o hospital já numa fase mais avançada da doença, seja ela uma síndrome coronária aguda, um infarto, seja uma apendicite ou um quadro neurológico. O paciente, por medo de entrar no hospital e ser contaminado pela Covid, ele não procura o hospital e isso é um grande erro. Grande parte dos hospitais da Bahia têm locais apropriados para atendimento de pacientes com Covid e atendimento com outras doenças", disse Brito. 

Na avaliação do médico, se observados os protocolos de atendimento, não há risco para os pacientes. Para José Carlos Brito, a doença não faz que as outras desapareçam ou deixem de acontecer. "Por exemplo, infarto não diminuiu por conta da Covid. Pelo contrário, aumentou. Em Nova York, houve um aumento de 800% de mortes em residências. Provavelmente por infarto. A Covid também causa infarto", avaliou.

Questionado sobre o posicionamento do governo, Brito foi enfático ao admitir a culpa do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) na crise vivida atualmente no país. Para o cardiologista, o negacionismo do presidente da República afetou bastante o combate à pandemia no país. "No momento que ele percebeu que Henrique Mandetta estava numa aprovação muito elevada, ele começou a se incomodar e começou a ter atritos com Mandetta na questão da medicação, que ele não sabia de nada. Eu sempre acho que o ministro da Saúde tem de ser um médico que faça saúde coletiva e entenda muito, que é o que salva a maioria das pessoas. O SUS é um sistema tripartite, tem a União, estado e município. Que bom que o Supremo determinou que as decisões de isolamento ficassem a cargo do estado e do município. Se fica na mão dele e ele decreta tudo aberto, seria uma mortalidade imensa", disse.
 

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