Saúde

'Vencemos a primeira onda', diz Badaró sobre pandemia de coronavírus na Bahia

Para infectologista, momento requer cuidados para reabertura gradual da economia com segurança

['Vencemos a primeira onda', diz Badaró sobre pandemia de coronavírus na Bahia]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 12 de Agosto de 2020 ⋅ 08:22

O médico infectologista Roberto Badaró comentou o processo de reabertura da economia e a necessidade da população se adaptar ao 'novo normal' diante da pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész hoje (12) na Rádio Metrópole, o especialista afirmou que a primeira onda da doença já passou e que é necessário manter os índices de cuidado ainda mais baixos para evitar eventuais surtos.

"É indiscutível que a primeira onda da epidemia está passando. Não tenho dúvida disso. Essas previsões foram feitas e erraram por poucos dias. Disseram que seria no final de junho e estendeu-se até o fim de julho. Esses números que representam a segunda fatia da epidemia, onde o topo são as pessoas que morreram, seguido dos hospitalizados e dos assintomáticos e por último, na base, as pessoas que não foram expostas e não pegaram", disse Badaró.

Na avaliação do infectologista, os cuidados tomados pela população nesta primeira fase da pandemia na Bahia foram eficazes para minimizar os impactos do vírus. "As medidas que foram feitas de isolamento e uso de máscara foram eficazes. Muitos estudos comprovam isso. Agora não podemos ficar dentro de casa o tempo inteiro e nos escondendo da epidemia o tempo inteiro. As medidas foram muito importantes, baseadas em ciência e a gente controlou. Vencemos a primeira onda. Agora precisamos entrar na segunda, que é reabrir e continuar mantendo este mesmo padrão de ocorrência de casos", declarou.

Badaró usou como exemplo o caso da China, primeiro epicentro da doença no fim do ano passado. A província de Wuhan, localidade que registrou os primeiros casos de Covid-19, hoje passa por surtos pequenos e a população passou a abandonar o uso de máscaras.

"Surtos endêmicos vão ficar ocorrendo, mas não terá mais esse risco de epidemia. Não falo isso de minha cabeça. Os chineses, em que pese toda responsabilidade deles no início da epidemia, iniciada em dezembro, onde não se anunciou, foram amplamente criticados pela responsabilidade quanto à questão da censura, transparência e direitos humanos. Mas eles deram um exemplo e a gente não pode deixar de reconhecer. Em janeiro publicaram absolutamente tudo sobre a doença, até o genoma do vírus. Agora estão numa fase onde não há mais epidemia. Estão lá embaixo em número de casos", afirmou o especialista.

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